16 de out. de 2009

(sempre) Existem Caminhos



"Existem caminhos para quem quer caminhar.
Existem caminhos para qualquer lugar.
Caminhos escuros, perigosos, trilhas estranhas,
e estradas largas cruzando planícies tamanhas
Que nunca se sonhou poder atravessar.

Existem caminhos verdejantes e belos
que nos levam de castelo em castelo,
de covil em covil, através dos bosques
cheios de fadas e feras, terras das hostes
das pessoas feitas de sonhos, imaginárias...

Existem caminhos sempre
Basta persistir e seguir.
Os Deuses da estrada abençoam
aquele que não se deixa cair.

Eu só quero encontrar o jardim
no qual eu possa me deitar e sonhar..."

-=-

A poesia é de outros tempos, reencontrada por meio do blogue de alguém que a encontrou, ou que nela se encontrou, em algum momento entre lá e cá.

E de lá para cá, foram muitos os caminhos que andei. Alguns me levaram para longe. Em outros me perdi. Em todas estas caminhadas, encontrei e aprendi muita coisa, e perdi tantas outras coisas, de mim e do que era de meu haver, esquecidas em algum pouso ou roubadas pelos perigos da estrada.

E em todos estes caminhos que trilhei, é certo de que havia sempre a vontade de encontrar os melhores caminhos. Mas hoje me pergunto se fiz mesmo as melhores escolhas. Acho que algumas, aquelas que me levaram mais e mais para longe de mim mesmo, por qualquer motivo que fosse, foram terríveis.

Agora me vejo no difícil momento de descobrir onde estou, para então descobrir qual é o caminho de volta. É certo que o primeiro passo é abandonar a estrada e reencontrar as minhas trilhas. Só elas me levam através da muralha...

Estou cansado destas terras. Quero voltar para casa.


p.s. e por falar em casa, acho irônico que a foto que ilustrou esta poesia desde o princípio seja do Parque Olhos D'Água, que agora posso ver pela janela. Por vezes, ao entardecer, fico olhando para o parque, como se esperasse me ver passar por lá, para ver se me encontro...

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1 de set. de 2008

Mestre Salustiano

Ontem um dos maiores imaginários e festeiros do Brasil foi-se embora tocar rabeca pras estrelas. Eu ví o pequeno-grande-homem tocar, e eu sei que as estrelas vão gostar.


(foto do Mestre Salú por Ana Cullen, no Overmundo)

Segue em paz, Mestre Salustiano.

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26 de nov. de 2007

Música celta no Mittelalter com o grupo Kalahamsa


"O Grupo Kalahamsa tocará na taberna Mittelalter (descrita aqui em excelente artigo do Daniel Duende) na sexta-feira, dia 30 de novembro, a partir das 21h.

No repertório, músicas de tradição celta da Irlanda, Galícia, Astúrias, Portugal, além de composições próprias. O ambiente não poderia ser mais apropriado, apresentando decoração medievalista, atendentes vestidos a caráter, espaço confortável e cerveja artesanal a preço excelente."


Esta apresentação vai ser bem bacana. Espero conseguir não perdê-la.

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1 de ago. de 2007

belos amores imperfeitos...

"Amor de verdade é pra segurar as pontas.
Há de ter vontade de ser melhor,
há de fazer alguma força e de cantar
algum canto de dormir.
Tem que se ter esperança e vontade
e confiar nas coisas belas do estar.

Amor de verdade não questiona, pergunta;
não se entrega ou se corta
mas também dói e estica.
Não tem remédio, mas tem sempre curativo;
não tem punho fechado,
pois com a mão aberta a pele se mostra melhor.

Ele é noite para quem passou o dia,
é madrugada para quem deita tarde.
Amor de verdade se dá, mas não se toma.
Se deita, mas não se doma.
Ele tem pontas dos dedos e tem segredos
e tem seu jeito de afastar os medos.

Acima de tudo, amor de verdade não é perfeito,
ele é completo e presente, é muito mais.
Amor perfeito é só uma planta..."
(O amor perfeito é só uma planta,
Daniel Duende ~ 06/08/2004)

É uma alegria para um poeta transbordante saber que uma de suas poesias anda viajando de boca em boca, de blogue em blogue, e embalando outros amores.

Acabei de descobrir que "O amor perfeito é só uma planta", poesia minha de 6 de agosto de 2004 republicada no Overmundo em 2006, foi reproduzida (com créditos quase adequados -- faltou um linque!) no blogue de um apaixonado geek chamado Raniere.

Valeu pela citação, Raninho! Sejam felizes, R²! :D



(foto publicada no Overmundo para ilustrar a poesia em 2006)

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11 de jun. de 2007

o Jornal das Pequenas Coisas.

O Adroaldo Bauer deu a dica lá no post d'O Cavaleiro e o Dragão (parte 6) no Overmundo, eu fui olhar e gostei. o Jornal das Pequenas Coisas, da escritora, poetisa e defensora de benjamins Rita Apoena, é um blogue doce, simpático e muito bem escrito.

Mais do que a propaganda, ele vale muitas visitas. Quem sabe uma hora ela volte das escritas e reabra os comentários para que possamos elogiar o blogue dela. :)


p.s. e este é um post com vírgulas demais, mas quem se importa? deixe as vírgulas serem felizes correndo por entre as letras...

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9 de jun. de 2007

O Cavaleiro e o Dragão, parte 6.

A parte 6 de O Cavaleiro e o Dragão, uma das minhas várias partes prediletas nesta minha "fábula-folhetim"*, já está na fila de edição do Overmundo.

Aos meus leitores que a acompanham, não é necessário dizer mais nada.
(e para aqueles que não acompanham... bem, de que adiantaria dizer alguma coisa?) :)

---
* este termo foi cunhado para a fábula O Cavaleiro e o Dragão pelo amigo Spírito Santo, em um inspirado comentário deixado em meu perfil no Overmundo. Spírito, você é um barato, cara! :)

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7 de jun. de 2007

Cavaleiro e o Dragão, parte 5

Para quem ainda não viu, a parte 5 de O Cavaleiro e o Dragão já está publicada no Overmundo. Sei que muitos de meus leitores fiéis já leram e comentaram por lá, o que me deixa muito feliz, mas nunca é demais avisar novamente àqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ler.

O Cavaleiro e o Dragão

- parte 1
- parte 2
- parte 3
- parte 4
- parte 5


p.s. a imagem do post é uma impagável foto de Haidee Lima usada originalmente no excelente post A Bula e o Escrevinhador, de Spirito Santo, no Overmundo. O post fala sobre a antiguidade e imortalidade das histórias e sobre a 'jornada do escritor' de Chris Vogler. Vale a pena conferir. Ainda vou acabar fazendo um post aqui sobre este post do Spirito. Eles (Spirito e post) merecem!

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30 de mai. de 2007

chega O Dia do Descanso de Deus

Chegou hoje, pelo correio, o esperado exemplar do livro O Dia do Descanso de Deus, de Adroaldo Bauer, o qual eu andava ansioso para ler na íntegra desde o momento que tive a chance de degustar-lhe os primeiros capítulos no Overmundo e no blogue do Adroaldo.

Segue um dedo da prosa do mano Adroaldo:
"(...)Sem erguer os cotovelos da madeira luzidia de um balcão tosco encerado por dúzias de mangas de flanela, brim ou panos de algodão cru ali escorridos, nem levantando os olhos de sob a aba do chapéu, Romão falou, ainda de costas, fitando o reflexo do desafiante num espelho enferrujado da prateleira de bebidas atrás do balcão:
- Valentia não é coisa que se cheire ou bebida barata que se arrota em boteco.
- Nem covardia! Urrou o cuera, no tom de desfeita, puxando da cintura uma pistola, disparando um tiro.
Um jorro de sangue descreveu leve curva por sobre o reflexo do homem no balcão até uma cruz efêmera formada pela sombra de ambos no assoalho. Romão percebera o sujeito às suas costas sacando uma pistola, girou felino o próprio corpo sobre os saltos da bota. Projetou veloz o fio da navalha. Riscou de vermelho, fora a fora, o pescoço do desafeto. Não se ouviu mais som qualquer, após o corpo desabar frouxo os costados no piso gasto do bar.(...)"
(trecho do primeiro capítulo de "O Dia do Descanso de Deus")

Prometo falar mais sobre o livro tão logo terminá-lo.
Será uma deliciosa leitura, com certeza.

Valeu pela atenção e pelo rápido envio de sua obra, mano Adroaldo!

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24 de mai. de 2007

A recepção de "Uma Casa Morrendo" no Overmundo supreende até a mim...

"(...)Rosa está em silêncio. Olha para a televisão como se ela não estivesse lá. Suspira profundamente, quase que com um susto. Olha para o sol que espreita pelas persianas fechadas da sala. Está tão abafado! Levanta-se e caminha até a janela. A onda de luz que invade a sala quando as persianas são levantadas é física, faz balançar o corpo leve de Rosa. Ela olha para a rua lá fora. Carros passam devagar, e tudo parece silencioso neste amanhecer de domingo. Rosa volta a sentar-se. Não vê mais a televisão, ou a poeira no ar. Rosa tem um vislumbre da infância, brincando na rua de pedras desiguais. Lá ela também vê o sol, mas ele ilumina toda uma vida que ainda a esperava pela frente. Agora Rosa já sabe como é viver uma vida inteira. O barulho de um prato quebrando na cozinha a desperta por um momento. Rosa sente uma certa tristeza de ter sido trazida de volta de sua infância. Suspira novamente, devagar e com dificuldade, enquanto os raios de sol dançam.(...)"
(trecho do conto "Uma casa morrendo", publicado no Overmundo)

Fiquei muito feliz em ver a recepção que este conto teve lá no Overmundo até agora. No momento em que faço este post são mais de 130 votos -- que levaram o conto à capa do Overmundo -- e 25 comentários (incluindo os meus, de agradecimento, claro). Eu, que não havia dado muito por ele quando o escrevi por achá-lo muito triste, espero ter agora aprendido a lição de que todo escrito que é rabiscado de coração merece ser dado ao mundo...

Mais escritos virão em breve...
Obrigado a todos pelo carinho, e por me lerem!

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20 de mai. de 2007

Conto novo no Overmundo e fotos em votação...

Publiquei um conto novo no Overmundo, resgatado do fundo da minha gaveta por circunstâncias da vida. "Uma casa morrendo", do qual já publiquei um fragmento por aqui, é um conto sobre amor e tempo, e o considero um bocado triste, embora seja belo. Acho que tenho uma queda pela beleza triste...

Enquanto isso, as fotos (esta e esta) que postei no Banco de Cultura do Overmundo já estão em votação. Aos votantes, peço uma forcinha.

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18 de mai. de 2007

Fotos no Overmundo, Dragões aqui e ali, e a fome de viver com arte.

Faz algum tempo que as reviravoltas da vida, a falta de inspiração e disciplina e, talvez, a falta de tempo, têm me impedido de publicar coisas novas no Overmundo. Tendo em vista que passei a tarde mergulhado em escritos e ainda me sobrou alguma inspiração, resolvi publicar duas fotos no overmundo, só para movimentar as coisas. "Into the Sea..." e "Foto aleatória" já estão na fila de edição. São as mesmas publicadas no fotolog, mas os textos estão diferentes -- escrevi poesias novas, ou tentei, para acompanhar as imagens que ganham novo valor para mim. Se estão curiosos, que tal dar uma olhadela por lá?

into the sea
Into the sea...

Enquanto isso, sei bem que devo e não nego (a mim e a quem me lê), continuar a revisão e publicação de O Cavaleiro e o Dragão. Minha inconstância o descontinuou, mas minha paixão há de retomá-lo.

E por falar em dragões, hoje passei a tarde debruçado sobre Samhain. Escrevi as duas partes iniciais, estou fazendo algumas revisões. Devo mergulhar na terceira parte hoje à noite. É bom estar produzindo de novo, embora a maior parte do trabalho que me espera (e que vai me levar para mais perto de voltar para a cidade que amo) não tenha nada a ver com a minha amada arte de contar histórias, nem esteja me soando nada artístico neste momento...

Algum dia ainda conseguirei viver com mais arte e, quiçá, viver de arte.

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27 de mar. de 2007

As cidades e as histórias.

Levando alguns passos em frente (por um caminho mais produtivo) o post anterior, estava pensando sobre a importância da existência de literatura ambientada em uma cidade para a construção do imaginário de (e sobre) aquela cidade. No caldeirão desta reflexão, junto 3 sentimentos semelhantes em natureza e distintos no tempo e no espaço.

O primeiro é o sentimento de isolamento e "saudade do desconhecido" que experimentava nos tempos em que só lia literatura estrangeira. Sentia falta de encontrar a minha cultura, a minha nacionalidade, nas histórias que me moviam.

O segundo sentimento era um sentimento de falta. A falta de literatura sobre Brasília, que narrasse histórias brasilienses, sob os céus da Cidade Seca, falando das coisas daquele lugar -- capturando seu espírito, evidenciando-o. A este sentimento respondi me propondo quase naturalmente a só escrever a respeito daquela cidade, no meu período de contista que foi de 2003 a 2006.

O terceiro sentimento é o encanto cantado no post anterior, de andar por uma cidade que é pano de fundo e personagem de uma boa parte daquilo que ando lendo hoje em dia. Isso não é sem propósito; desde que me mudei para o Rio me propus a mergulhar e conhecer a literatura carioca que fale sobre a cidade. A sensação de ler sobre Copacabana, sobre o Jardim Botânico, sobre a rua Voluntários da Pátria em Botafogo (onde trabalha o médico da morta de Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca), sobre a Urca onde um homem morre afogado enquanto Clarice Lispector experimenta seu vestido... sobre tantos lugares e histórias cariocas... é simplesmente fantástica. É como estar finalmente inserido e contemplado integralmente em um universo ao mesmo tempo real e secundário, imaginário e sólido. É a magia penetrando o dia a dia.

Isso me leva de volta ao questionamento do segundo sentimento: É necessário que as pessoas escrevam sobre suas cidades, sobre suas realidades, sobre suas vidas e as vidas das quais são testemunhas. Há de se falar de jeitos, trejeitos, ruas, espaços, apertos, histórias e ilusões de cada cidade -- e de sua gente. Uma cidade sobre a qual há rica literatura é mais real do que a sua realidade física, é super-real, é mais forte e se entranha na carne do leitor-morador.

É por estas e por outras que me sinto em dívida com minha cidade natal quadradinha. Eu tenho que escrever sobre aquela cidade! Tenho que viver mais dela, e escrever mais, muito mais, sobre ela! O Rio já está em boas mãos. É bom de morar, é bom de ler. Mas quando não estiver escrevendo sobre a Terra Encantada, quero escrever sobre a minha terra.

Brasília ainda carece de quem conte suas histórias. Eu ainda careço de contar as histórias da minha Brasília. Ouço o chamado. Um dia eu chego lá...



Já que declarei em meu post anterior meu amor pelo Rio, agora é hora de declarar também o meu amor por Brasília, sua gente, sua terra que vira poeira no ar e seu vento seco que embaraça os cabelos e o coração. Eu também amo Brasília, e ainda vou escrever muito sobre ela. Ela merece!


(mas para quem também ficou com água na boca para ler sobre Brasília, humildemente prometo publicar mais dois de meus contos brasilienses no Overmundo logo depois que publicar a quinta parte de O Cavaleiro e o Dragão. Para quem não quer esperar, sempre há Na Saída e A Moça Acenando na Janela.)

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20 de mar. de 2007

Início da segunda fase do Manual de Auto Publicação para Músicos e Músicas Indenpendentes

Falando de coisas mais alegres agora (enfim!), hoje, dia 20 de março, começa a segunda fase de produção do Manual de Auto Publicação de Músicos e Músicas Independentes, que vinha sendo até agora gestado e discutido neste tópico do Forum de Conversas sobre Cultura do Overmundo. O Manual segue as propostas levantadas neste post feito no Overblog do mesmo Overmundo, além de tantas outras excelentes propostas e colocações feitas na discussão do Forum.

A partir de hoje começa o trabalho prático de elaboração e redação do Manual, com a colaboração de todos os participantes da discussão que se mostraram interessados em participar desta fase dos trabalhos. Se você se interessa pelo tema, nunca é tarde para aparecer por lá, dar uma olhada nos papos (por favor, leia as conversas antes de falar) e se juntar ao grupo.

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16 de mar. de 2007

Revisão colaborativa da parte 4 de O Cavaleiro e o Dragão

Depois de publicado e em edição no Overmundo, a parte 4 de O Cavaleiro e o Dragão recebeu as sugestões afinadas do generoso escritor e jornalista gaúcho Adroaldo Bauer. Encantado não apenas pelo quanto estas colocações me ajudaram, mas sobretudo pela beleza do processo de revisão colaborativa digitalmente mediada, resolvi postar um "retrato" do processo de revisão que se seguiu.

O primeiro parágrafo original da quarta parte da fábula, como foi publicado, era assim:
"Marcos não se lembrava de que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo tão entediante. Os dias passavam como uma paisagem desbotada pelo sol que passa pela janela de um ônibus. As noites, escuras e vazias, não eram diferentes. Ele ainda não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos eram, aliás, uma coisa que ele não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias achou que estaria enlouquecendo e tentava se concentrar na vida que acreditava ser boa antes. Mas, enfim, qual era a sua vida antes? Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa em outro lugar e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. E assim ele ia vivendo.(...)"

Adroaldo apresentou então um exercício de seu próprio punho, sugerindo uma versão diferente do parágrafo para materializar suas sugestões:
"Marcos não lembrava que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo entediante. Os dias pareciam paisagem que passa pela janela de um ônibus, desbotada pelo sol. As noites, escuras e vazias, não eram diferentes. Ele ainda não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos, aliás, não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias achou que estaria enlouquecendo e tentava se concentrar na vida que acreditava ser boa antes. Enfim: qual era a sua vida antes? Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa noutro lugar e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. E assim ia vivendo.(...)"

Lendo e relendo as duas versões, e comparando-as, resolvi modificar o parágrafo inicial da fábula de uma forma um pouco mais radical (embora ainda conservando todos seus elementos originais). A versão que fiz ficou, então, assim:
"Marcos não lembrava que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo entediante. Os dias passavam como paisagem na janela de um ônibus, tostados no vento seco e no sol; imóveis e inócuos. As noites, escuras e vazias, eram iguais. Ele não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos, aliás, não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias, achou que estava enlouquecendo. Tentava se concentrar na vida que, acreditava ele, deveria ter sido boa antes. Mas que vida era essa? Ele não sabia. Não estava certo de saber de mais nada. Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa noutro lugar, e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. Não via sentido em nada. Mesmo assim seguia vivendo, enquanto a paisagem inerte e tostada dos dias desfilava triste.(...)"

Seguem as conversas. Vou aproveitar este post para fazer um relato deste trabalho colaborativo (e, portanto, updates virão). O resultado final desta revisão a quatro mãos poderá ser visto, espero, na versão que irá a votação no Overmundo da fábula em fragmentos O Cavaleiro e o Dragão, parte 4.


p.s. o blog literário de Adroaldo Bauer chama-se Retorno Imperfeito. Vale a pena dar uma olhada nos quitutes literários que lá se encontram.


UPDATE:
Adroaldo me sugeriu ainda agora, por email, que trocasse a frase final do primeiro parágrafo, que era "(...)Mesmo assim seguia vivendo, enquanto a paisagem inerte e tostada dos dias desfilava triste.(...)" por "(...)Mesmo assim seguia vivendo, enquanto aquela paisagem desfilava triste.(...)". Gostei da sugestão, e já vou utilizá-la na versão do texto que estou revisando, e que vai ser atualizado no post do Overmundo em breve.

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15 de mar. de 2007

A quarta parte de O Cavaleiro e o Dragão foi publicada no Overmundo.


"(...)Ela tinha os cabelos negros e desiguais,
os dentes um pouco tortos, talvez meio pontiagudos demais.
Sorria de uma forma estranha e tinha um olhar desconcertante,
penetrante como o de um predador(...)"


Estamos entrando em uma das partes que mais gosto do primeiro arco de O Cavaleiro e o Dragão. Redescubro o prazer que tive ao escrevê-lo ao me entregar ao processo de revisão. Tenho fome de escrever mais. Mal vejo a hora a me dedicar à continuação desta fábula (sem contar a vontade que me dá de retomar o Delianárra ou, ainda mais, o "Garotos que dormem tarde".)

Mas chega de papo...
Reproduzindo o texto-teaser do post lá do Overmundo:
Então começa o que parece ser o primeiro teste de Amarath. Ou será que era tudo um sonho, ou é tudo um pesadelo?

Confio que você, leitor, já deva ter lido a primeira, a segunda e a terceira parte desta fábula em fragmentos. Sem tomar então mais do seu tempo, vamos ao início da quarta parte de O Cavaleiro e o Dragão.

"Marcos não se lembrava de que a vida podia ser tão estranha e ao mesmo tempo tão entediante. Os dias passavam como uma paisagem desbotada pelo sol que passa pela janela de um ônibus. As noites, escuras e vazias, não eram diferentes. Ele ainda não tinha certeza de que não estivesse vivendo algum sonho ruim do qual não sabia acordar. Sonhos eram, aliás, uma coisa que ele não tinha mais certeza de saber o que eram. Por muitos dias achou que estaria enlouquecendo e tentava se concentrar na vida que acreditava ser boa antes. Mas, enfim, qual era a sua vida antes? Metade dele acreditava que um dia sonhara ser outra pessoa em outro lugar e este sonho o torturava. A outra metade não via sentido nisso tudo. E assim ele ia vivendo.(...)"

Leia a quarta parte de O Cavaleiro e o Dragão na íntegra, no Banco de Cultura do Overmundo.

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9 de mar. de 2007

A terceira parte de O Cavaleiro e o Dragão já está no Overmundo...

-- Eu sou um filho das montanhas e do céu, desta terra e de duas outras também. Eu existo pois me é dado existir, e eu faço o que me é dado fazer. Sou descendente da serpente da terra e afilhado do senhor dos ventos e tempestades. Eu tenho um nome, mas apenas um nome deste lugar sairá, e será o seu. Ou portaremos ele juntos, ou apenas a mim ele caberá, assim como tua carne e tua vida. Disse o dragão, em um tom solene que deixou sua voz parecida com o ruído de um trovão ecoando dentro de uma caverna.
(um trecho da terceira parte de O Cavaleiro e o Dragão)

Uma das delícias de um fabulista é contar suas fabulosas histórias sobre a Terra Encantada, seu povo e sua magia. O Cavaleiro e o Dragão, uma velha fábula à qual eu não dava mais o devido crédito, é um exemplo simples (e longe de ser perfeito) deste tipo de história.

Para aqueles que gostam do que eu escrevo, vale a pena dar uma olhada na Primeira, na Segunda e (agora) na Terceira partes de "O Cavaleiro e o Dragão", publicadas no Banco de Cultura do Overmundo.


Update:
Como era difícil encontrar uma imagem ou foto decente licenciada em Creative Commons para ilustrar minhas fábulas. Por sorte me lembrei que o site do Creative Commons tem um sistema de busca (que integra com o Google e com a busca do Flickr, entre outros) para encontrar material licenciado em CC. E então, ao me lembrar disso, ficou tudo bem mais fácil. É engraçado como alguns problemas parecem realmente difíceis até você pensar em uma solução óbvia para eles, não? Isso também é matéria de fábulas...

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O parto gonzo de uma overmatéria sobre um show...

Enquanto pedia um autógrafo no CD recém-lançado e recém-comprado da MarthaV, falei para ela, meio sem pensar, que iria escrever uma matéria a respeito do show. O quê? Esse lance de pedir autógrafo é coisa de fã babão? Porra nenhuma! Se eu comprei um CD no show de seu lançamento e a mocinha estava lá para autografar o CD, é claro que eu não perderia a chance de tornar um pouco mais humano o meu disquinho prateado cheio de músicas dentro de uma caixinha de plástico. Bem, voltando à matéria prometida, logo depois pensei que era óbvio que eu tinha mesmo que escrever uma matéria a respeito daquele show. Não pela sua importância intrínseca para a música independente do Rio de Janeiro (e toda apresentação honesta de arte não é então importante?) ou por ser particularmente diferente de qualquer outro (e todo show não é diferente de qualquer outro, e não é isso mesmo que o torna especial?), mas porquê eu não me sentia bem quando cheguei lá, e naquele momento me sentia muito bem depois de tanta música e animação e energia.

Levando a sério minha promessa antes impensada, comecei a pensar imediatamente sobre o que iria escrever. Algumas idéias vieram chacoalhando dentro da minha cabeça no ônibus de volta para casa, e tão logo sentei na frente do computador, ainda meio bêbado, comecei a escrever uma matéria bem pessoal a respeito do show -- um relato pessoal da experiência de estar naquele show. Quando a matéria ficou pronta, olhei para ela como se fosse um monstro, mas pensei que poderia ajeitá-la pela manhã e depois publicá-la. Aproveitei o embalo para mandar um email para a assessoria de imprensa (ou algo que o valha) que era apresentada no site da MarthaV, no qual perguntava sobre alguns detalhes que não havia memorizado sobre o show. Eram perguntas simples, como o setlist e a formação da banda, incluindo as participações especiais, e o nome da música do Legião Urbana da qual ela fizera um cover bacana pra caramba com o arranjo de Paranoid Android do Radiohead. Coisas que toda matéria que se preze a falar de um show deve incluir...

Na manhã seguinte, sentei-me na frente do computador para ajeitar a matéria e me deparei novamente com um monstro. "Como? Não posso publicar isso aqui! Olha essas frases quilométricas com dez vírgulas! Olha essas declarações absolutamente impulsivas!". Deixei a matéria de lado, me prometendo dar um jeito nela depois que as informações solicitadas chegassem. Não chegaram, e não olhei mais para a matéria até o dia seguinte. Nova manhã, nova tentativa de ajeitar a matéria, ainda na esperança de conseguir transformar aquilo em alguma coisa menos parcial, menos "o mundo como eu o vejo e pronto!". Sem muito sucesso. Era como se eu não soubesse escrever outras palavras a respeito daquele show, e a matéria começou a me incomodar. Gravei-a em um .txt e desisti dela, já que ao que parecia a assessoria de imprensa da baixinha não havia me dado a menor bola também. Por quê diabos então eu iria escrever sobre aquele show, se eles mesmos não estavam nem aí? Deixei a matéria de lado e fui cuidar do (muito) trabalho que tinha a fazer.

Outro dia se passou, e o email da Martha me dizendo que ia publicar suas músicas no Overmundo (como eu a havia sugerido na conversa que tivemos depois do show) me deixou ainda mais incomodado. No email ela perguntava sobre a matéria e eu, meio bêbado no momento em que abrí o email, não sabia como explicar que havia desistido da matéria por ter sido ignorado por sua "assessora de imprensa" (o que no fundo era apenas uma desculpa para mim mesmo) ou, pior ainda, simplesmente porque sabia que a matéria estava boa e não conseguia modificá-la, mas mesmo assim não estava com coragem de publicá-la pois esta era totalmente fora daquilo que, não sei por quê cargas d'água, eu achava que ela deveria ser (o que era o motivo real). Resolvi então dizer que havia quase desistido de publicar a matéria, mas que iria deixar de ser escorpiano birrento e publicá-la. Novo mergulho então na matéria, e mais corta-e-cola-e-apaga-e-ajeita, sem mudar muita coisa além de detalhes. Lá estava eu com quase a mesma matéria que havia escrito 4 dias antes, um pouco melhorada talvez, e com a decisão de publicá-la.

Foi então que me veio um estalo, uma voz dentro da cabeça, daquelas que aparecem para nos salvar quando resolvemos tornar tudo muito mais complicado do que realmente é: "Porra, duende! esta matéria tá a sua cara! Tá a cara do Overmundo! Tá a cara de toda a sua proposta de que não é possível expressar nada senão a sua sensação e a sua experiência das coisas, tem tudo a ver com o que você estava sentindo quando saiu do show! Tá com vergonha de publicar porquê, seu idiota?". É tão bom quando a gente puxa a própria orelha, não é mesmo? Dei uma última passada de olhos na matéria, adicionei alguns links a mais e pronto, publiquei. O alívio que senti depois me fez perceber o quanto estava incomodado o tempo todo em cobrar de mim mesmo escrever uma coisa, escrevê-la e depois ficar fazendo birra para publicá-la. Percebi que mesmo quando estava tentando fazer alguma coisa, por algum motivo aquela matéria estava lá, engasgada na minha cabeça, e não me deixava me concentrar totalmente em mais nada. Uma vez escrita, a matéria tinha vida própria, personalidade, e queria ver a luz do dia. Estava nela tudo que eu queria dizer, e se alguma coisa não foi dita é porquê eu não queria dizer nada além do que disse. E foi um alívio ter colocado ela no ar. Espero que o povo goste, mas se não gostar, ao menos eu sei que eu falei a verdade e escrevi uma matéria tão honesta quanto o show que a MarthaV fez naquele domingo. É isso.



E por quê estou falando disso tudo? Sei lá. Talvez porque seja um relato que fala muito sobre mim mesmo para mim e para quem quiser ler e entender. Talvez porque este seja meu blog e aqui eu falo o que achar relevante falar. Talvez porque eu tenha mania de me explicar demais de vez em quando. Ou talvez, apenas talvez, seja minha forma bizarra de fazer propaganda para a matéria.

Bem... está lá...

"MarthaV é um Tesão", no Overmundo.

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3 de mar. de 2007

Manual de Auto-Publicação na Rede para Músicos e Músicas Independentes: Uma possibilidade e uma necessidade.

"Conversando ontem com o Valdir Batone e com a Gabi Andrade, participantes da conversa sobre o Manual de Auto-Publicação na Rede para Músicos Independentes que está rolando no Fórum de Conversas do Overmundo, integrantes do excelente projeto musical independente Lixo Extraordinário e, como prefiro chamá-los, meus novos amigos, senti que a idéia de escrever um Manual de Auto-Publicação para Músicos e Músicas Independentes é não apenas possível, mas também uma necessidade deste momento. Sim, este é o momento! Várias bandas e musicistas, assim como vários artistas de várias mídias, já estão descobrindo não apenas que as mídias tradicionais não mais representam a realidade da cena artística em que estão inseridos ("cenas artísticas se criam, se inventam", diria o Valdir) como também que é possíver criar vias alternativas, mais verdadeiras e democráticas, para a difusão e discussão de seu trabalho."

(leia o resto do meu texto lá no Overblog do Overmundo)

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Mais um fragmento de O Cavaleiro e o Dragão e mais histórias a contar.

Depois dos elogios recebidos pela primeira parte de O Cavaleiro e o Dragão, publicada no Overmundo, publiquei ainda agora na fila de edição a segunda parte da antiga fábula fragmentada. Espero que todos a apreciem tanto ou mais do que apreciaram a primeira parte.

Enquanto isso, espero encontrar tempo e inspiração para trabalhar na retecitura de minha fábula "A Princesa Desencantada", assim como encontrar um tempinho para verter ao papel um continho que me veio à cabeça inteirinho, enquanto eu lia o livro A Coleira do Cão (ainda impressionantemente atual e vivo, mesmo tendo sido escrito na década de 60!) do mestre Rubem Fonseca.

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1 de mar. de 2007

O ContoAberto de KA-AK-KIM

Mais bacana ainda do que as traduções de H.P.Lovecraft feitas pelo Viktor Chagas (também conhecido como KA-AK-KIM) e publicadas no Overmundo, é o site de nosso discreto e inspiradíssimo overcolaborador. O ContoAberto.org, que acabo de descobrir na pesquisa feita para meu post sobre as traduções de Lovecraft, salta aos olhos logo à primeira vista como um excelente projeto de difusão e discussão da literatura independente brasileira. Para falar sobre o site, prefiro usar as próprias palavras de nosso escritor-colaborador na descrição do projeto contida no próprio site:

"CONTOABERTO.ORG é um espaço experimental para reflexão literária. Um canal independente de produção e circulação de conteúdos hipertextuais.

Nascido nos idos anos 90, bem no finzinho da década, em 1999, o projeto Quem conta um ponto aumenta um conto... funcionava a partir de duas vertentes principais: uma, como galeria, expondo trabalhos e obras conclusas de escritores inéditos e desconhecidos do grande público; a outra, propondo-se a iniciar uma série colaborativa de contos e poesias, em que cada autor podia escrever seu capítulo, sua estrofe, e daí aumentar o seu conto.

Funcionando como uma espécie de revista eletrônica, as atualizações a cada versão traziam um novo desenho gráfico e novas contribuições de autores nacionais e internacionais de língua portuguesa, sem qualquer ônus para os escritores. Bastava apenas que seus trabalhos fossem remetidos para a equipe editorial do site e avaliados positivamente."


Espaços como o ContoAberto.org são fundamentais, assim como o Overmundo, para o novo movimento de crescimento da produção e publicação literária independente brasileira. O uso da rede como espaço de fomento, captação, agregação e difusão dos produtos de tantos artistas ora desconhecidos de nosso enorme país é fundalmental não apenas para a literatura, mas também para o teatro e a música independentes do Brasil (assim como de todo o resto deste mundo).

Aproveito para deixar aqui os meus sinceros parabéns para o Viktor pelo site, pelas iniciativas, pelo seu ótimo texto e, por que não, por ser um cara tão bacana.

Sem maiores rasgações de seda, vou mergulhar no ContoAberto.org e tentar descobrir algumas das coisas fantásticas que devem haver para serem descobertas por lá.


UPDATE:
O Blog do Viktor no ContoAberto é bem bacana, e o WikiContoAberto com sua proposta de produção colaborativa a muitas mãos é outra idéia muito boa do nosso bom e sábio rapaz dos pés chinelentos. Estou encantado.

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