23 de ago de 2007

nonsense.



Los Alpacas.

- "digo até que esse cabelo na cara assim é uma coisa meio anos 90, meio grunge, meio pós punk..."

- "não. estas são alpacas emo."

- "cada um com seus pobrema"

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22 de ago de 2007

E por falar em escrever...

Tenho que encontrar um momento em mim e nos meus dias para começar a escrever o material que vou enviar para o concurso do MEC. É uma boa oportunidade e é um desafio interessante. Já tenho algumas idéias. Basta encontrar a voz e o momento...

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recomendações

...Ela me recomendou o blogue da czarina e o blogue do marcelo. Leio algo dos dois. Sinto que as palavras pulsam. Mas minha cabeça também pulsa, bem devagar, na dor-de-cabeça-sem-dor das muitas noites mal dormidas. Não consigo pensar nem engolir palavras pulsantes. Até mesmo as mais rasas por vezes me escapam ou me engasgam. Preciso descansar.

Vou voltar a eles (aos blogues), depois de colocar meu sono e minha alma em dia.
E depois disso, então, se os Deuses quiserem, vou escrever um pouco.

Não podia deixar, contudo, de passar em frente as boas dicas d'Ela.

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17 de ago de 2007

Literatura para Todos



"Escritores brasileiros têm um desafio em 2007: escrever para jovens e adultos que estão aprendendo a ler e a escrever em salas de aula em todo o país. Os novos leitores são pessoas com mais de 15 anos que participam de ações do Ministério da Educação dentro do programa Brasil Alfabetizado. As obras literárias são para um público que não é criança, mas também não é leitor experimentado.

A segunda edição do concurso Literatura para Todos vai distribuir R$ 90 mil para oito escritores brasileiros e para um escritor de país africano de língua portuguesa — Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Cada autor selecionado receberá um prêmio de R$ 10 mil e terá sua obra reproduzida pelo Ministério da Educação e distribuída a milhares de jovens e adultos que iniciaram a alfabetização no período 2006-2007. As inscrições estão abertas até 21 de novembro.(...)"


A oportunidade é bem interessante. Além do mais, eu e ela achamos muito interessante e intrigante o desafio de escrever para jovens e adultos alfabetizandos.

Vai ser uma boa idéia participar desta segunda edição do concurso Literatura para Todos, do Ministério da Educação (valeu pela dica, DPadua!).

Já comecei a ter idéias...

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olhando a revoada discreta das estrelas.

As estrelas se movem muito devagar,
ou muito depressa -- depende do olhar.
Mas quando você não está olhando,
as estrelas estão sempre voando
e mudando de lugar.

Acendí um cigarro, pois nada é certo.
E como não há nada mais a se fazer,
eu continuei olhando para as estrelas
e buscando entender para onde elas irão
quando eu não estiver observando.

O cigarro acabou, e não há nada errado.
Nem as cinzas no cinzeiro, nem o céu,
nem as vozes mudas no castelo silenciado.
Nada é certo, mas nada está errado.
E agora que já fumei meu cigarro, posso dormir.
Estou meio feliz, e cansado...

Amanhã a vida continua,
para onde quiser ir.
A vida é como as estrelas.
Ela voa, principalmente quando
você não está olhando...


(esta imagem veio daqui)


Que seja bom, que seja bom, que seja bom...
e brilhante e belo, como o céu noturno.


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Ser escritor...?

O que é (e o que significa) ser escritor?

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13 de ago de 2007

Sobre panelas e caldeirões

Gosto de cozinhar
como quem faz bruxaria.
Cortando e cantando,
misturando e proferindo
encantamentos e augúrios,
mexendo, remexendo, temperando
e provando e inventando conforme faço.

É assim que é gostoso.

É assim que sai gostoso. =]

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7 de ago de 2007

O Salto do Menino Tritão (duende, 2005)

Revirando mais um pouco os arquivos imaginários em busca dos fragmentos rebuscanos, encontrei uma velha poesia que volta a me encantar, sempre viva como o mar...

o salto do menino tritão.
"morrer é nascer. aprender é crescer. viver é transformar-se...

No barco dourado enfeitado com guirlandas, uma festa comedida navega.
Na esteira do mar feroz que ruge e cospe navega uma festa dourada
de família. No parapeito, sonhador, um menino sensível namora o mar.
As ondas o convidam, a imensidão do mar o seduz, não há nada no
mundo barco que o possa segurar...

Apenas os gritos o saúdam quando ele salta.
Gritos maternos e guinchos de gaivotas inexistentes se fundem,
no dia em que o jovem se uniu com o mar.

O que aos olhos do navegante é morte,
é para o menino tritão o início da vida.
Mudar de ambiente é uma questão de aprender a respirar...

Ele segue vivendo, além das fronteiras dos barcos,
descobrindo que a vida no mar é fêmea,
descobrindo o que é A Mar...




(uma homenagem a um sonho belo e assustador de Dona Graça).


Foi publicada originalmente no Alriada Express em maio de 2005, inspirada em um sonho que a Dona Graça teve com seu filho, o 'anatólio' Daniel Padua.

É curioso e encantador como esta poesia fala COMIGO até hoje.

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Antiguidade rebuscana.

Estava me lembrando agora mesmo, enquanto escrevia um pedaço de prosa sem graça, das Crônicas da Rebuscânia de Daniel Pádua. Que fim terão levado estes velhos escritos caóticos? Será que algum dia veremos mais alguma crônica rebuscana sob este sol?

Apenas os monges constipados da Rebuscânia sabem por onde elas andam, e eles levam o segredo consigo para todos os lugares quando explodem...


UPDATE:
Para quem se interessou pelos fragmentos das crônicas rebuscanas, acabei de (re)encontrar esta velha comunidade no Orkut onde alguns rebuscanos se reuniam. Há algumas raras palavras e nonsenses rebuscanos por lá.

- o -

"Finesiano Finn era um luso-irlandês típico. Todo dia sentava-se na sacada de sua humilde pocilga para coçar as axilas e contar histórias. As crianças o adoravam, mesmo quando ele tentava mordê-las.

Era um bom velhinho o Finesiano. No ano passado as complicações hemorroidárias o levaram para perto dos seus, no paraíso de Oisin. Conta-se que seu fiel cachorro Cheira Cu até hoje deita-se na sacada e tenta morder as crianças..."



" Eram três da tarde quando o
vento uivou na janela...
Com seus antebraços franzinos, Zuleica
abriu o armário. Aquele fim de
tarde enferrujado e árido.
Lá dentro havia um pote diferente,
com um rótulo intrigante: "dente".
Zuleica abriu o pote.
Tinha um dente lá dentro."
(A Saga de Zoráide - parte I)



"a outonância de junho
O outono é uma das épocas mais belas
da Rebuscânia, com seus galhos retorcidos
e folhas secas... uma morbidez singela
que me faz sorrir.

:-D

FIM"

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Janela Sobre a Palavra (V) - Eduardo Galeano

"Javier Villafañe busca em vão a palavra que deixou escapar bem quando ia pronunciá-la. Onde terá ido essa palavra, que ele tinha na ponta da língua?
Haverá algum lugar onde se juntem todas as palavras que não quiseram ficar? Um reino das palavras perdidas? As palavras que você deixou escapar, onde estarão à sua espera?"
(Eduardo Galeano em "As Palavras Andantes", pág. 222)

De um encontrador de palavras para um aprendiz de caçador de sentidos...

onde fica este reino?

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Lista de compras.

Duende, não esqueça de comprar...
- batatas
- azeite
- molho de soja
- proteína de soja
- moyashi
- champingnons
- carne em bife
- carne moída
- guardanapos
- "hoje eu quero" de champingnon
- óleo (canola é um veneno!)
- milho em lata
- molho de alho gostoso
- "tomada anti-mosquito"
- uma vela para agradecer pela vida! =]


Quem disse que não há poesia nas listas de compras?

p.s. não sei, nem nunca soube, como se escreve "champingnon" corretamente.

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Sabedoria popular.

"Quem está comendo pimenta
não fica coçando o olho."


Ai, como arde!

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6 de ago de 2007

Remisturando o Lixo Extraordinário

O meu querido Lixo Extraordinário (alô Batone, alô Gabí! Saudades!!!) foi citado (de novo) no blogue Remixtures do companheiro Miguel Caetano. Sem enrolar muito, lá vai um trecho da matéria:

"[...] vale bem a pena escutar com atenção o auto-intitulado álbum de estreia do grupo. Na verdade, o disco representa a súmula de um processo de evolução criativa ocorrido ao longo de mais uma década do que propriamente uma estreia. A maturidade dos Lixo Extraordinário fica bem patente quando ouvimos as 13 faixas que compõem o registo. Não só a produção musical de Júlio Anizelli e os arranjos de Mizão são “Extraordinários”, como as letras de Batone são bastante inteligentes. Existe uma sinceridade profunda por entre aquelas palavras que transpira energia, raiva, sarcasmo e dedicação.

Em termos musicais, o projecto insere-se na linhagem de alguns dos maiores grupos de música Pop brasileira, embora acrescente certos ingredientes que dão um “sabor” muito característico à mistura: um pouco de samba, Rock, tango, baladas, etc."

A galera do Lixo Extraordinário merece todos estes elogios, e muito mais. Não perco uma chance sequer de dizer o quanto os acho extraordinários.

Quero ver quando é que vamos conseguir trazê-los para tocar aqui na cidade seca de Brasília. Em breve, espero!

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2 de ago de 2007

Brinde.

Um brinde ao dia de hoje.



E seja o que os Deuses quiserem...

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A estranha vida de Teo. (e um pouco da minha também)

Enquanto ainda estava no Rio de Janeiro, ficava sentado na varanda do décimo segundo andar olhando a surrealidade das vidas cariocas que se desenrolavam à toda volta. Havia o médico (ou dentista) que ficava nú em seu consultório no final do expediente, lendo e fazendo anotações. Havia a cobertura onde frequentemente 3 ou 4 mulheres nuas ficavam se pendurando na grande e acenando para os passantes da rua (e para os escritores sentados em varandas do décimo segundo andar). Havia o menino que ficava olhando de binóculo para as janelas do meu prédio. Vez por outra, nos dias em que chegava droga no morro, eu podia ver meninos com fuzis na mão montando guarda no topo de um prédio próximo à entrada do morro do Pavãozinho.

Em meio a toda esta surrealidade surgiu a idéia de escrever uns romances policiais surreais. A idéia era uma brincadeira, e continuou como tal por vários dias. De qualquer forma, me diverti fazendo anotações para o primeiro deles -- O Ícaro -- que girava à volta da morte de um velho e rico artista onde a suspeita recaía sobre sua sobrinha-neta, a única pessoa que dividia o apartamento com ele. É claro que a história era um bocado mais surreal, por trás deste mote aparentemente banal.

Com o passar dos dias e a correria, acabei deixando a idéia (e todos meus outros projetos de escrita) de lado. Quando comecei a me debruçar na leitura de alguns dos contos policiais de Rubem Fonseca (como Bufo e Spallanzani e O Caso Morel) a vontade de escrever histórias policiais voltou (embora eu não tenha retornado ao projeto do Ícaro na época). Mesmo assim, na época, não me veio grande inspiração e o momento acabou passando também.

Há alguns dias fui convidado por alguns queridos amigos para escrever roteiros para histórias em quadrinhos. Como estava com a cabeça cheia, nem dei atenção à coisa no momento. Mas hoje, enquanto devorava um bife na cozinha, meio apressado para descer para a cidade e tomar umas cervejas para relaxar, alguns dos (já comuns) acontecimentos estranhos que cercam a bizarra Casa da Colina (onde moro) voltaram a me lembrar de Teo.

Teo é o nome do investigador que protagoniza o Ícaro (o conto que eu pensei em escrever). Uma figura bastante interessante, sobre a qual não pretendo falar nada agora para não estragar a surpresa. Teo tem uma vida um bocado estranha, embora tente da melhor forma possível ter uma vida completamente normal. É tragicômico.

Em resumo, a história do Ícaro, e Teo, me voltaram à cabeça e estas idéias foram se juntando à idéia da história em quadrinhos e a outras idéias que também flutuavam em minha cabeça. E, de repente -- abracadabra -- o roteiro me surgiu quase inteiro na cabeça, passando quadro a quadro frente a meus olhos enquanto eu olhava preocupado tentando descobrir que diabos era aquela coisa enorme se mexendo debaixo da minha geladeira...

A vida é surreal, mas é boa.
Mais informações sobre este projeto, depois,
se o monstro sob a geladeira não me matar. :)

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1 de ago de 2007

belos amores imperfeitos...

"Amor de verdade é pra segurar as pontas.
Há de ter vontade de ser melhor,
há de fazer alguma força e de cantar
algum canto de dormir.
Tem que se ter esperança e vontade
e confiar nas coisas belas do estar.

Amor de verdade não questiona, pergunta;
não se entrega ou se corta
mas também dói e estica.
Não tem remédio, mas tem sempre curativo;
não tem punho fechado,
pois com a mão aberta a pele se mostra melhor.

Ele é noite para quem passou o dia,
é madrugada para quem deita tarde.
Amor de verdade se dá, mas não se toma.
Se deita, mas não se doma.
Ele tem pontas dos dedos e tem segredos
e tem seu jeito de afastar os medos.

Acima de tudo, amor de verdade não é perfeito,
ele é completo e presente, é muito mais.
Amor perfeito é só uma planta..."
(O amor perfeito é só uma planta,
Daniel Duende ~ 06/08/2004)

É uma alegria para um poeta transbordante saber que uma de suas poesias anda viajando de boca em boca, de blogue em blogue, e embalando outros amores.

Acabei de descobrir que "O amor perfeito é só uma planta", poesia minha de 6 de agosto de 2004 republicada no Overmundo em 2006, foi reproduzida (com créditos quase adequados -- faltou um linque!) no blogue de um apaixonado geek chamado Raniere.

Valeu pela citação, Raninho! Sejam felizes, R²! :D



(foto publicada no Overmundo para ilustrar a poesia em 2006)

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encontro.

agora sim! enfim
estou me encontrando
dentro de mim.

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Transformações.

1.
tentou mover as patas para sair do canto da sala. não conseguiu. faltavam-lhe patas. faltava-lhe espaço. a barata não entendeu nada quando despertou e se descobriu transformada em gente.

2.
tudo era diferente agora que saíra do jardim de infância. antes, se chorasse, alguém viria abraçá-la. agora, as pessoas apontavam para ela e riam. sentia-se tão desamparada que não conseguia não fazer as pessoas rirem vez por outra.

3.
ele ficou paralizado frente ao espelho. em vez da própria face, viu a face que acreditava agora perdida nas brumas da vida. acariciou os próprios cabelos, sorriu para si um sorriso saudoso e entendeu o sonho. despertou ele mesmo.

4.
"... e então a dríade, vendo o dragão estendendo os braços para o céu como uma frondosa árvore verde, perguntou à coruja: 'agora ele vai virar uma árvore?'. A coruja respondeu que não, pois ela ainda não havia se transformado em um dragão ..."

5.
quando entrou no carro, sabia que estava se deixando para trás. olhou-se indo embora pelo espelho antes de ligar o motor, e foi para casa descobrir quem havia se tornado. depois disso, nunca mais se viu por aí. era outra pessoa.

6.
o sol começou a se pôr cedo atrás da colina. começou a esfriar. é o outono chegando cedo -- pensou ela. acendeu um cigarro e olhou para as aves que voltavam para o ninho. estava com frio. queria poder voltar para casa.

7.
rompeu a casca. o sol machucou seus pequenos olhos antes de abraçá-lo. arrastou-se devagar para fora do casulo e esticou as asas coloridas. naquela manhã, nem se lembrava mais de ter sido uma lagarta. nascia em si uma borboleta.


tudo flui.

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transbordamento

ele bebeu daquela fonte
e transbordou.

de sua boca brotavam sorrisos,
de seus olhos minavam lágrimas,
sua pele era toda calor e perfume
e a seus pés nasciam flores feéricas.

quem vai enxugar as lágrimas
e tomar sua boca em um beijo?
quem vai colher as feéricas flores,
sentir o perfume e se aninhar no calor?

ele bebeu daquela fonte
e transbordou.

"quem irá se afogar em sua abundância?",
perguntou o pássaro negro ao céu e ao mar...

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