31 de mai de 2007

Lixo Extraordinário agora também no Musicoteca

Se você ainda não conhece o Lixo Extraordinário, agora tem mais uma chance. O muito bacaninha blog musicoteca, que divulga "música com princípio", acaba de disponibilizar também o primeiro album da banda (que já estava disponível há muito tempo também no site novo do L.E.)



Não tem desculpa. Vai , ou , e escuta. Não é por pouco que o Lixo Extraordinário é uma das minhas bandas prediletas na atualidade do mercado rock pop alternativo nacional.

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descansando depois do Descanso de Deus...

Terminei a leitura de O Dia do Descanso de Deus, de Adroaldo Bauer. É uma boa novela. Quase a devorei do dia para a noite, em suas saborosas 104 páginas. Vou descansar e deixar a história decantar um pouco dentro de mim, depois prometo que a resenho para vocês...

Um abraço ao amigo Adroaldo pelo seu belo filhote.
Espero ler mais prosa sua em breve, Adrô! Principalmente se ela retratar mais tipos interioranos do seu Sul, coisa que você faz deliciosa e encantadoramente bem...

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mais Teatro Oficina Perdiz

Apesar da azia (e do dia) terrivel, estou tentando saldar todas as minhas promessas. Infelizmente a publicação da quinta parte de O Cavaleiro e o Dragão vai ficar (de novo) para outra hora.

Contudo, aquí vai (conforme prometido no último post) a programação de amanhã (sexta) e sábado no Teatro Oficina Perdiz (encontrada neste post de Michel Santana no blog Jornalistinha):

Programação da Oficina do Perdiz para os próximos dias:

Quarta-feira (30/05): Apresentação do filme “Teatro Oficina Perdiz” às 21h, de Marcelo Dias.
Quinta-feira (31/05): Monólogo “Saída de Emergência”, apresentado por Zé Regino (horário não confirmado).

No dia 01 de junho vão começar as 24h de atividades do “Teatro Oficina Perdiz”. A maratona começa às 18h desta sexta-feira e vai até as 18h deste sábado. Na sexta será apresentada a peça “Quem fez 68 não faz 69”, interpretada por Ruth Guimarães, que faz uma pequena sátira a ditadura militar.

No sábado vai ser a vez do monólogo “Cobra Norato”, interpretada por Sérgio Viana. A apresentação conta o mito da “cobra grande da Amazônia”.

Para mais informações ligue no número: 3273-2364 e fale com Marcos Pacheco.

E vale aproveitar para dar uma lida neste outro post de Michel Santana a respeito do Teatro Oficina Perdiz, também no Jornalistinha:

"Ao ser questionado pelo Jornalistinha, Perdiz brinca ao dizer porque mantém a oficina. ”Só tenho a oficina mesmo porque tenho um carro”, comenta. Perdiz revela como conseguiu construir a estrutura. “Para construir a arquibancada eu demorei umas cinco horas. Comecei a ajeitá-la um dia era umas 13:30h, e quando deu umas 18:30h ela já estava terminada. Os acessórios depois eu coloquei aos poucos”, disse Perdiz.

Esses dias o teatro viveu uma fase um pouco turbulenta, com a ameaça de fechamento do local. Mas ao que tudo indica, a oficina será preservada, pelo menos foi o que garantiu o Governador do Distrito Federal. “O Oficina do Perdiz é um símbolo cultural, não pode ser fechada. Já consultei o secretário adjunto de Cultura, Ricardo Pires, para trazer uma solução para o local”, afirmou Arruda."


Dizem que a reportagem feita pela Rede Record a respeito da situação (e da mobilização em defesa) do Teatro Oficina foi bem bacana. Contudo, parece que o vídeo ainda não chegou ao YouTube.

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30 de mai de 2007

O Teatro Oficina Perdiz ainda vive! (ao menos por mais um mês)

Acabei de receber a dica da Apsara, minha irmã (que link eu coloco para você, minha linda?) de que já saiu no YouTube um vídeo da reunião que encerrou a mobilização feita ontem em prol do Teatro Oficina Perdiz, que estava ameaçado de demolição (mais uma vez).

Sem mais enrolação (ão ão ão!), segue o vídeo:



Viram o vídeo?

Como vocês podem ver, esta foi uma vitória importante mas ainda há muita luta pela frente. Fiquem ligados aqui no Caderno do Cluracão, e na comunidade do Teatro Oficina Perdiz no Orkut, para serem informados dos próximos andamentos da luta em defesa deste pitoresco e importante teatro.

Acho particularmente importante dar atenção às tais denúncias de acumulação de entulho e de "bichos e escorpiões" que grassariam nestes mesmos. Serão verdadeiras? Serão ataques anônimos de má fé contra o teatro? As duas coisas? Para o povo do Perdiz, fica o toque para que fiquem ligados nisso.

Por hora, parabéns a todos que participaram direta ou indiretamente desta etapa da mobilização em prol do teatro. Estamos todos de parabéns.

Boa sorte ao Perdiz e eu fantabuloso Teatro, e aos artistas da minha terra, e à Cultura de Brasília e do Brasil. Segue a saga.


UPDATE:
O João Arnolfo do viaecologica.com também fez e publicou um vídeo sobre a defesa do Teatro Oficina Perdiz (dica do Technorati):



(curiosamente, até um blog russoecoou este vídeo)

Enquanto isso o blogue da Rádio Livre RalaCoco 101.3FM, da Universidade de Brasília (ô saudade!), também fez um post sobre a mobilização. A meu ver, os Dragões não tem nada a ver com o problema e não deveriam ser injustamente culpados (Salvem os Dragões!!!), mas o post é válido mesmo assim.

Eu eu continuo ligado história, e pronto para ajudar o Teatro Oficina Perdiz e os colegas da cultura de Brasília no que for possível...

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chega O Dia do Descanso de Deus

Chegou hoje, pelo correio, o esperado exemplar do livro O Dia do Descanso de Deus, de Adroaldo Bauer, o qual eu andava ansioso para ler na íntegra desde o momento que tive a chance de degustar-lhe os primeiros capítulos no Overmundo e no blogue do Adroaldo.

Segue um dedo da prosa do mano Adroaldo:
"(...)Sem erguer os cotovelos da madeira luzidia de um balcão tosco encerado por dúzias de mangas de flanela, brim ou panos de algodão cru ali escorridos, nem levantando os olhos de sob a aba do chapéu, Romão falou, ainda de costas, fitando o reflexo do desafiante num espelho enferrujado da prateleira de bebidas atrás do balcão:
- Valentia não é coisa que se cheire ou bebida barata que se arrota em boteco.
- Nem covardia! Urrou o cuera, no tom de desfeita, puxando da cintura uma pistola, disparando um tiro.
Um jorro de sangue descreveu leve curva por sobre o reflexo do homem no balcão até uma cruz efêmera formada pela sombra de ambos no assoalho. Romão percebera o sujeito às suas costas sacando uma pistola, girou felino o próprio corpo sobre os saltos da bota. Projetou veloz o fio da navalha. Riscou de vermelho, fora a fora, o pescoço do desafeto. Não se ouviu mais som qualquer, após o corpo desabar frouxo os costados no piso gasto do bar.(...)"
(trecho do primeiro capítulo de "O Dia do Descanso de Deus")

Prometo falar mais sobre o livro tão logo terminá-lo.
Será uma deliciosa leitura, com certeza.

Valeu pela atenção e pelo rápido envio de sua obra, mano Adroaldo!

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Sobre a vida própria do fragmento de "Samhain"

Recebi hoje um gracioso comentário/email de Dora Nascimento, colega overmundana e atenciosa leitora, a respeito do fragmento do conto Samhain, publicado aqui no Caderno do Cluracão há uns tempos atrás.

Reproduzo abaixo, na íntegra, a encantada e encantadora missiva:

Samhain (fragmento) – quase uma fábula de sutil erotismo, que começa com um segredo em suspense e termina com um suspense segregado.

Foi assim:

O abri numa tarde quente de maio, num ciber-café lotado de adolescentes que jogavam aqueles games, todos infernalmente barulhentos.

“(...) Alma respirou fundo, parada frente à porta, mordendo os lábios.”.

Eu fechei os olhos e disse:

“Não dá pra ser agora”.

No final do expediente o escritório ainda era todo movimento, e no computador onde trabalho, voltei a abri-lo novamente.

Vozes, risadas, telefones tocando em alucinados e irritantes estilos...

Alma com a sua respiração em suspenso, uma história por acontecer...

Voltei a fechar, telefone para mim.

Pela terceira vez naquele dia eu o abri e imprimi.

Com ele impresso nas minhas mãos, estava segurando os papéis nas mãos, quando alguém me pediu para ir até a videoteca.

Dobrei-o adiando Alma mais uma vez, fiz o que me pediram, e fui embora dali o mais rápido possível.

E Alma lá, estática, respirando fundo, parada frente à porta, mordendo os lábios.

Peguei-o e guardei dobrado o suficiente para caber dentro da minha bolsa.

Na parada do ônibus, toquei nos papéis, cinco páginas guardavam a continuação de Alma. Fui para debaixo de um poste e retirei-o da bolsa, desdobrei os papéis, e lá estava Alma, à espera de que eu a deixasse soltar a funda respiração. Não, a luz de mercúrio do poste me ofuscava. Dobrei os papéis adiando tudo mais uma vez.

Dentro do ônibus, retirei novamente os papéis, e Alma já havia, em uma frase, passado toda aquela tensão dela para mim.

Desisti dali também.

Peguei o livro das “Fadas no Divã” – psicanálise boa e pura – e corri os olhos nele, mas só pensava em Alma e sua respiração suspensa e presa nos papéis e na minha demora em retornar à sua história que estava preste a acontecer.

A ansiedade faz tudo parecer uma eternidade, mas eu enfim cheguei em casa.

Aí fiz assim:

Larguei a ansiedade descuidadamente sobre o pufe gigante.

Tomei um banho, e me alimentei.

Ascendi um digestivo, um incenso e a luminária.

Retirei aqueles papéis da bolsa pela terceira e última vez naquela noite. Apaguei todas as luzes da casa.

Deitei no sofá-cama e finalmente o li, voltando a dar vida a Alma, que ainda continuava a morder os lábios numa suspensa e funda respiração.

Tenho agora duas impressões e uma constatação pretensiosamente minha.

1 – Alma, apesar do temor, entregou-se à excitação no instante em que “aproximou a mão muito levemente, incerta, da maçaneta...” e se assustou,

com a facilidade com que a porta se abriu ao seu desejo mesclado de temor, materializando aquela excitação dentro daquele quarto escuro.

Ela estava lá!

A incerteza dera abertura a uma frágil, mas firme convicção.

2 – Sméagan é um não humano – apesar de só descobrir isso na última frase – ainda assim, não havia descrição alguma de que fosse um humano normal. O tom tenso com que a história tem desde o início, é que deixa um sutil eco de anormalidade naquele encontro.

Depois quando o segredo é parcialmente revelado na última frase, ficou no ar do meu imaginário o que poderá vir a ser um não-humano.

Na minha cabecinha fabulosa pairaram elfos, faunos, gnomos, duendes...

O vi como um elfo.

E Alma – que agora eu via com mais nitidez dentro de formas imberbes de mulher que trás ainda latente sua sensualidade – firme na sua frágil certeza de querer se entregar a Sméagan, me diz:

“Ele nem sequer era humano (...)”.

Mas depois, Alma ficou me acalentando:

“Ao menos ele não é humano (...)”.

3 – Para mim – muito pretensiosamente individual essa minha opinião pode parecer, e é – o conto está findo.

Quando tu iniciaste a primeira frase com “(...) e fechou a última frase com (...)”, deixaste – ao menos para mim – todo um mistério a ser desvendado pelo imaginário do leitor.

Porque é um conto que tem um quê de fábula de sutil erotismo, e que começa com um segredo em suspense e termina com um suspense segregado.

L-I-N-D-O!

Um cheiro de manjericão adentrou por toda a casa, como uma confirmação.

P.S.:

1- Acho que se o conto for continuado, eu ainda não sei se vou querer ler.

Os personagens, às vezes, simplesmente se calam, se encerram, e se não os deixamos em paz, eles talvez voltem distorcidos. Salvo quando querem voltar à tona do imaginário do seu criador. Ai não tem jeito, tem que continuar.

Desculpe-me, mas eu jamais vou deixar de te dizer o que sinto e o que vem do meu agitado coração, mesmo que eu me arrependa no instante seguinte – e já tarde demais – após clicar em “enviar”.

A propósito, Sméagan me apareceu como um elfo desejável e amedrontador, e talvez por isso mesmo, ao menos sua alma, é humana.

2– Se puderes desculpar essas minhas levianas interpretações, basta me responder dizendo que sorriu.

3- Quando virei uma das páginas do caderno em que escrevia essa carta-comentário, subitamente me apareceu essa receita de “Pão Rápido”, que gosto de fazer para servir aos amigos:

“Receita de Pão Rápido”.

Ingredientes:

2/1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo especial (aquela sem fermento)

1 xícara (chá) de açúcar (da sua preferência, mascavo... etc)

1 colher (sopa) rasa de fermento comum (aqueles de bolo mesmo).

1 pitada de sal

1 xícara de castanha ralada (ou qualquer outro recheio que der na telha, uvas passas...)

1 copo (250ml) de leite (temperatura ambiente)

1 copo (250ml) de óleo (também da sua preferência, girassol...)

3 ovos inteiros ligeiramente mexidos (também em temperatura ambiente)

Modo de preparar:

Bom para fazer nas horas do dia em que o sol ainda está frio.

Se não tiver sol, antes do meio-dia.

Bater todos os ingredientes líquidos no liquidificador.

Numa tigela, adicionar todos os ingredientes secos.

Despejar o conteúdo liquido sobre o seco, pegar dois garfos e mexer delicadamente, até que tudo se torne homogêneo, enquanto isso, vá adicionando a energia boa de estar produzindo um alimento, mesmo que seja só para você.

Levar ao forno pré-aquecido em forma (que pode ser refratária) untada, uma temperatura de 180° por + ou – 45minutos, ou até dourar.

Pode espetar com um palito, como se faz com os bolos.

Pode comer na hora que sair do forno, mas ele estará com a consistência de um bolo. Mas se der para esperar até o fim do dia, já estará com a consistência de pão.

O nome é Pão Rápido porque não precisa esperar a massa crescer.

Bom apetite!

Esta carinhosa e apaixonada mensagem da leitora Dora me fez pensar um bocado e lembrar de algumas discussões e idéias sobre contos e fragmentos que venho tendo aqui, alí e acolá. Penso que o fragmento é quase um estilo literário em sí -- tendo sido influenciado por uns "fragmentistas" por aí -- e como tal, merece o reconhecimento como obra acabada, mesmo que carregue o nome de algo que parece incompleto. O fragmento pode levar no seio uma incompletitude, mas se o faz, é porquê nisso também imita a vida que por vezes retrata.

Posto isso, fiquei a pensar com meus botões o que fazia com este fragmento benquisto. Assumí-lo como um fragmento por si só e arrancá-lo do conto Samhain, no qual ainda estou trabalhando? Não. Isso não. Abandonar o conto e reconhecê-lo encerrado neste fragmento? Nem pensar! Samhain é muito mais do que isso! Deixar, então, a coisa como está? Talvez não...

Por fim, decidi tomar o caminho do meio, que contempla os amantes do fragmento e do conto. Continuo a trabalhar no conto Samhain (embora a correria dos últimos dias tenha me afastado dele), e batizo este fragmento, que agora tem sua vida própria reconhecida, como "Alma e o quarto escuro". Continuará fazendo parte do conto, mas também tem existência própria, e cada um o lerá como preferir.

E assim é, e assim será. Para os que ainda não leram, aqui está "Alma e o quarto escuro". Quanto ao conto Sahmain, continuo trabalhando nele.


Em tempo,
vou experimentar a receita assim que puder, Dora. :D


p.s. Para fazer justiça à minha persistência em manter o trabalho no conto Samhain, publicarei em breve mais um fragmento dele -- sua parte inicial -- como uma forma de dar satisfação a respeito de algum andamento literário deste Cluracão (que até agora não publicou a quinta parte de O Cavaleiro e o Dragão para continuar a fábula em fragmentos no Overmundo).

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25 de mai de 2007

Teatro Oficina Perdiz, em Brasília, ameaçado de despejo.

Recebi a informação e o convite da Ana Catarina no meu scrapbook do Orkut:

ATENÇÃO ARTISTAS!

O Perdiz recebeu ontem uma intimação,
dizendo que ele teria que

desocupar o local, dentro de 5 dias uteis...

Hoje, sexta-feira dia 25, vários artistas
se encontraram na frente da

oficina e ficou decidido que
TERÇA - FEIRA, DIA 29/05 AS 11HS
todos
nós vamos nos encontrar
em frente a oficina para fazer uma

manifestação.

Façam cartazes, divulguem e estejam lá...
vamos fazer barulho!

Não podemos deixar o Perdiz sozinho...
precisamos juntar muuuiiiiitaaaa

gente pq queremos parar a w3 norte!
(708/709 - perto do ceub)



vamos todos!!!! vamos parar a
W3 NORTE NA HORA DO ALMOÇO!!!!
Ajude a divulgar!!


Para quem não conhece o Teatro Oficina Perdiz, trata-se de uma oficina mecânica localizada no comércio da SCRN 708, na Asa Norte de Brasília, e que em várias noites da semana se transforma em um teatro que apresenta atrações a preços populares, além de ser um espaço aberto para artistas e companhias em início de carreira.

A própria idéia de se transformar uma oficina em teatro já é bem bacana. Junte-se isso então ao carisma do dono e do lugar, e o Teatro Oficina Perdiz torna-se um lugar extremamente bacana e que faz parte dos roteiros culturais brasilienses. Para quem conhece, e para quem ainda não conhece mas gostaria de ter uma chance de um dia poder conhecer, é um importante participar desta mobilização e passar em frente a notícia.

Como estou no Rio, tudo que posso fazer é passar a notícia em frente e torcer. O lugar fica ao lado da minha antiga casa, e eu gosto um bocado dele.

Não é a primeira vez que o teatro é ameaçado. Quando começaram a derrubar o prédio ao lado, por pouco o teatro não foi junto. Apenas com a mobilização dos artistas da cidade foi possível impedir que naquele mesmo momento o Teatro Oficina virasse uma pilha de escombros.

Abraços apertados do Verde.

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24 de mai de 2007

A recepção de "Uma Casa Morrendo" no Overmundo supreende até a mim...

"(...)Rosa está em silêncio. Olha para a televisão como se ela não estivesse lá. Suspira profundamente, quase que com um susto. Olha para o sol que espreita pelas persianas fechadas da sala. Está tão abafado! Levanta-se e caminha até a janela. A onda de luz que invade a sala quando as persianas são levantadas é física, faz balançar o corpo leve de Rosa. Ela olha para a rua lá fora. Carros passam devagar, e tudo parece silencioso neste amanhecer de domingo. Rosa volta a sentar-se. Não vê mais a televisão, ou a poeira no ar. Rosa tem um vislumbre da infância, brincando na rua de pedras desiguais. Lá ela também vê o sol, mas ele ilumina toda uma vida que ainda a esperava pela frente. Agora Rosa já sabe como é viver uma vida inteira. O barulho de um prato quebrando na cozinha a desperta por um momento. Rosa sente uma certa tristeza de ter sido trazida de volta de sua infância. Suspira novamente, devagar e com dificuldade, enquanto os raios de sol dançam.(...)"
(trecho do conto "Uma casa morrendo", publicado no Overmundo)

Fiquei muito feliz em ver a recepção que este conto teve lá no Overmundo até agora. No momento em que faço este post são mais de 130 votos -- que levaram o conto à capa do Overmundo -- e 25 comentários (incluindo os meus, de agradecimento, claro). Eu, que não havia dado muito por ele quando o escrevi por achá-lo muito triste, espero ter agora aprendido a lição de que todo escrito que é rabiscado de coração merece ser dado ao mundo...

Mais escritos virão em breve...
Obrigado a todos pelo carinho, e por me lerem!

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21 de mai de 2007

O Jovem e A Senhora Mar.


Young captain by *Jasvena on deviantART

Achei tão bela esta imagem...

Não preciso dizer mais nada.

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Mais Tom Waits...

E como nem todo mundo gosta das poesias do Bukowski, vamos a alguns dos motivos pelos quais eu realmente GOSTO de Tom Waits...


(Downtown Train, 1985. Tom Waits tem um jeito surreal até quando flerta com o pop. É glamour "dharma bum" puro, meus amigos.)



(Temptation, 1998)



(Tom Traubert's Blues, On The Nickel, (Looking for) The Heart of Saturday Night e mais uma música que eu ainda não consegui identificar)


O cara é bom!
Ele tem embalado minhas noites e meus escritos há dois dias...

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Tom Waits e Bono Vox recitam Charles Bukowski

Aproveitando minha febre momentânea de paixão agápica por Tom Waits e meu mergulho em Charles Bukowski, vou aproveitar para publicar aqui um vídeo onde o primeiro recita uma poesia do segundo, acompanhado por outra poesia de Buk (Roll the Dice) recitada por aquele tal de Bono Vox (de quem, confesso, gosto um tanto também).



The Laughing Heart
(Charles Bukowski)

"your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is a light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
you can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delight
in you."


É isso aí...!

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20 de mai de 2007

Conto novo no Overmundo e fotos em votação...

Publiquei um conto novo no Overmundo, resgatado do fundo da minha gaveta por circunstâncias da vida. "Uma casa morrendo", do qual já publiquei um fragmento por aqui, é um conto sobre amor e tempo, e o considero um bocado triste, embora seja belo. Acho que tenho uma queda pela beleza triste...

Enquanto isso, as fotos (esta e esta) que postei no Banco de Cultura do Overmundo já estão em votação. Aos votantes, peço uma forcinha.

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18 de mai de 2007

Fotos no Overmundo, Dragões aqui e ali, e a fome de viver com arte.

Faz algum tempo que as reviravoltas da vida, a falta de inspiração e disciplina e, talvez, a falta de tempo, têm me impedido de publicar coisas novas no Overmundo. Tendo em vista que passei a tarde mergulhado em escritos e ainda me sobrou alguma inspiração, resolvi publicar duas fotos no overmundo, só para movimentar as coisas. "Into the Sea..." e "Foto aleatória" já estão na fila de edição. São as mesmas publicadas no fotolog, mas os textos estão diferentes -- escrevi poesias novas, ou tentei, para acompanhar as imagens que ganham novo valor para mim. Se estão curiosos, que tal dar uma olhadela por lá?

into the sea
Into the sea...

Enquanto isso, sei bem que devo e não nego (a mim e a quem me lê), continuar a revisão e publicação de O Cavaleiro e o Dragão. Minha inconstância o descontinuou, mas minha paixão há de retomá-lo.

E por falar em dragões, hoje passei a tarde debruçado sobre Samhain. Escrevi as duas partes iniciais, estou fazendo algumas revisões. Devo mergulhar na terceira parte hoje à noite. É bom estar produzindo de novo, embora a maior parte do trabalho que me espera (e que vai me levar para mais perto de voltar para a cidade que amo) não tenha nada a ver com a minha amada arte de contar histórias, nem esteja me soando nada artístico neste momento...

Algum dia ainda conseguirei viver com mais arte e, quiçá, viver de arte.

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o quase-lirismo das 10 punhetas de bukowski e o coloquialismo radical

Mergulhado nas "Ereções, Ejaculações e Exibicionismos" de Bukowski para mudar um pouco de ares das minhas histórias encantadas, me impressiono com o quase lirismo de Buk em contos como "Dez punhetas". Seu discurso direto e tosco, de frases cortadas porém fluidas, me impressiona mais pela forma do que pelo conteúdo, mas em contos como "Dez punhetas" o velho safado consegue mesmo me tocar (sem trocadilhos, por favor).

Isso começa a me fazer ter idéias de experimentar escrever algo explorando um "coloquialismo radical" brasiliense -- contos e short stories narradas em uma linguagem direta, curta e extremamente coloquial (e típica do quadradinho), como se estivessem sendo contadas para amigos em uma mesa de bar por alguém que já está alegremente bêbado e exagerado.

Pode ser um experimento interessante.
Brinco com isso, quando terminar de parir meu atual conto...

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14 de mai de 2007

Alan Moore também é um Cluracão. E agora, um cluracão casado...

Terceiro post seguido sobre o monstro de Northampton, mas ele merece! :)

Fotos do casamento de Alan com Melinda Gebbie, direto do blog de Neil Gaiman (outro grande cara, cá entre nós...)







Para ver todas as fotos (com link para versão fullsize) no blog do Neil Gaiman, clique aqui.

Como o blog é meu, eu tenho direito a um último comentário perfeitamente indispensável:

O Alan Moore ficou tão fofinho depois de velho, com cara de feliz e com essas roupas, não? :D

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Alan Moore sobre adaptações cinematográficas de obras literárias e histórias em quadrinhos.

"(...)Quando você lê um livro e dá vontade de tomar chá, por exemplo, você deixa de lado o livro, e vai tomar a sua xícara de chá. Se quiser voltar algumas páginas para lembrar de algo que foi dito páginas atrás, você pode fazer isso. O leitor é que tem que fazer todo o trabalho. Quando lê um livro, o que você faz é decodificar esses arranjos de vinte e seis palavras numa página, por exemplo. Você tem que criar uma imagem para todos os personagens. É capaz de imaginar as vozes deles. Você está conjurando um mundo inteiro, e o está fazendo sozinho. O trabalho é seu. O leitor está contribuindo para ter uma experiência. Não é o caso nos filmes. Você está lá sentado na sua cadeira, e o filme segue, correndo a, sei lá, 24 frames por segundo. A máquina está fazendo todo o trabalho por você. Está tudo pronto. Não precisa imaginar como tal personagem vai se parecer ou como é que ele vai soar. Porque o camarada ali na tela vai sempre se parecer exatamente como o Jack Nicholson, e aquele outro personagem lá vai falar exatamente como um ator qualquer... É negada a chance de ter uma imagem na cabeça. Você tem as possibilidades negadas. Você não está apto a contribuir ao filme, sua imaginação é simplesmente freada e é substituída pela imaginação de quem o fez. Eu tenho esse incômodo com adaptações de cinema. Quando você tem um público que cresce ao redor do cinema, há esse problema dos jovens que absorvem arte apenas se ela vier por uma tela. Isso encoraja à preguiça. Muitas das pessoas que vão ao cinema não precisam se preocupar em ler o livro, porque, obviamente, o livro é muito mais difícil, exige muito mais experiências do que apenas ficar sentado no cinema com uma tigela de pipoca no colo por 90 minutos... É por isso que me incomoda tanto essa coisa das adaptações."
(retirado da entrevista de Alan Moore à revista Trip*)



* o endereço do site da Revista Trip está correto, mas a página principal parecia estar fora do ar no momento do fechamento deste post. De qualquer forma, a entrevista está acessível através do link acima.

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13 de mai de 2007

Lost Girls de Alan Moore, e a sexualidade nas fábulas.

Está sendo lançada no Brasil pela Devir Editora a controversa série Lost Girls, escrita pelo mestre Alan Moore (que nos deu Watchman, V de Vingança e John Constantine e foi recentemente entrevistado pela Trip) e ilustrada por Melinda Gebbie, (com quem Moore se casou recentemente, e que é dona de um traço bem particular). Em Lost Girls, Moore aborda a questão da sexualidade nas fábulas infantis (se é que fábulas são coisas para crianças) e brinca com a idéia de um encontro cheio confissões sexuais e afetivas entre Wendy Darling (de Peter Pan), Alice (de Alice no País das Maravilhas) e Dorothy Gale (de O Mágico de Oz).

A matéria de Marcelo Naranjo sobre a série, escrita para o site da UniversoHQ, descreve a obra da seguinte forma:
"Como divulgamos no ano passado, a série Lost Girls está para ser lançada no Brasil, pela Devir Editora.

Lost Girls - Livro 1: Meninas Crescidas
(formato 21 x 28 cm, 112 páginas coloridas, R$ 65,00) é uma graphic novel erótica que conta as aventuras sexuais de três importantes personagens femininas fitícias do final do século 19 e início do século 20: Alice, de Alice no País das Maravilhas; Dorothy Gale, de O Mágico de Oz e Wendy Darling, de Peter Pan.

Elas se encontram já adultas em 1913 num luxuoso hotel austríaco para descrever e partilhar entre si algumas de suas aventuras eróticas, contando como cada uma delas descobriu os prazeres do sexo.

A história é escrita por Alan Moore e ilustrada por Melinda Gebbie (que também co-criou e desenhou a série de histórias The Cobweb para a revista Tomorrow Stories, da linha de quadrinhos de Moore America's Best Comics). O conceito de personagens de várias histórias co-existindo num mesmo universo também já foi explorado por Alan Moore em A Liga Extraordinária.

Lançados originalmente dentro de uma caixa, os três volumes da série Lost Girls serão publicados separadamente pela Devir em abril, junho e setembro de 2007."

Embora esteja muito ansioso para conferir este trabalho de um de meus mestres-contadores de histórias, não sei muito bem ainda o que dizer sobre o tema da sexualidade nas fábulas. Talvez esta obra de Moore me dê mais o que pensar sobre o assunto. Penso, contudo, que sendo a fábula uma narrativa mágica sobre um mundo essencialmente natural e encantado, não há nenhum impedimento para a existência de tudo aquilo que é natural (inclusive o sexo e todas as suas formas) em uma fábula. As duas coisas que sempre "empacaram" este fluxo são o engano de achar que fábulas são escritas apenas para crianças e a besteira cristã de achar que o sexo é feio, e portanto não é coisa para as fábulas e muito menos para os olhos das crianças. Fábulas com sexo são não apenas coisa para gente grande em tamanho, mas sobretudo para gente grande em compreensão do mundo. Se as fábulas foram tão dessexualizadas quanto os anjos nos últimos séculos, isso se atribui principalmente à ignorância e obscurantismo com a qual foram tratadas nos últimos tempos.

Mais uma vez, Alan Moore mostra que sabe o que está fazendo.
Um brinde ao monstro de Northampton!

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10 de mai de 2007

Lixo de cara nova na rede...

O excelente projeto/banda Lixo Extraordinário de Valdir Batone e extraordinária companhia está de site novo. Se o antigo já era bacana, permitindo o dowload de quase todo o primeiro álbum da banda e oferecendo um blog antenado, além de outros mimos para os fãs, o novo ficou ainda mais bonito e agora oferece o album inteiro pronto para "baixar e montar", além das músicas e das letras em separado.

Para quem ainda não conhece o Lixo Extraordinário, que se tornou uma das minhas bandas prediletas desde que cheguei ao Rio de Janeiro e conheci o Batone e a Gabi, esta é uma excelente chance de conhecer o trabalho dos caras.

Tá esperando o quê? Passa lá e vê, rapá! :)

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9 de mai de 2007

de volta?

Numa tentativa de espanar o pó dos meus blogues (e principalmente deste aqui), estou dando uma revirada nos meus escritos e trabalhando em umas anotações.

Enquanto não tenho nada para publicar, estou fazendo uma audição e reaudição da banda Peixa (antiga Tio Basílio, do pessoal da Biologia da UnB) para emitir algumas observações. Por hora, ainda não sei o que dizer além de que a banda é bacana.