A menina triste, o menino, o cachorro e a chuva: Tídel.
ela tinha um papel na mão e olhava para o nada.
vários passarinhos passam por mim. querem comida.
também tenho fome, mas esqueço.
está escurecendo, e a moça está sentada no banco.
dois meninos passam correndo e gritando. me assusto.
vou até debaixo daquela árvore. a grama está seca
e a moça continua sentada no banco.
seus pés se retorcem. o vento levas algumas folhas.
ela olha para o papel, e depois olha para os blocos.
não parece estar vendo nada. parece estar chorando
está escurecendo. está esfriando. cadê os pássaros?
a menina está chorando. ela é tão linda e tão triste.
sua pele é tão branca... e ela é tão magrinha,
que parece doente. será que ela está doente?
droga! lá vem um cachorro! odeio cachorros!!
é melhor sair daqui...
lá está a menina. está andando.
tem um menino indo atrás dela.
não. não parece ser só um menino.
ele tem alguma coisa estranha nele.
ele não é como eles, mas não é como eu.
está ventando. e este vento é diferente.
tem borboletas no anoitecer muitas.
e o menino continua andando atrás dela.
vou chegar mais perto.
a menina está chorando, sentada debaixo do bloco.
o menino fala com ela. entendo, mas ignoro.
não é o que ele está falando que importa.
ele tem um cachorro enorme atrás dele,
mas eles não podem ver o cachorro.
eu posso. ele ainda não é real, mas eu posso.
e olhando de perto posso ver a coisa fria dentro da menina.
o que será aquilo? ela está doente mesmo?
a menina segura o papel, tentando escondê-lo do menino.
então o menino começa a desenhar.
será que ele não vê o cachorro?
será que ela não vê a coisa em sua barriga?
acho que vai chover. é uma chuva estranha.
o menino desenha árvores, e um cachorro.
ele desenha outro cachorro, então.
ele está desenhando o cachorro que está atrás dele.
e então eles olham para mim, mas não me vêem como sou.
e a menina não chora mais,
mas a coisa fria ainda se retorce dentro dela.
acho ela está morrendo. não sei porquê.
vai chover.
é melhor sair daqui antes que minhas penas fiquem molhadas.
estou com medo dessa chuva
vou embora com a menina e sua morte na cabeça.
mas sinto que também vou encontrar o menino
e o cachorro
por aí...
este é
um anoitecer
estranho.
tenho fome.
vôo para casa.

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Hoje acordei com uma disposição diferente. Não era preguiça, nem falta de vontade de trabalhar. Lavei meu carro, ajeitei as coisas que precisava ajeitar em casa, até tentei trabalhar -- mas algo me dizia que não havia trabalho a fazer, e que outra coisa me chamava. Lembrei que havia marcado, de meio coração, o primeiro encontro de imaginários para amanhã. Não havia ainda sentado para juntar as centenas de anotações que havia feito para a Crônica de Changeling que pretendo re-iniciar no encontro, e decidí então quer seria isso que deveria fazer.



"Ao ser questionado pelo
Para quem não conhece o 



