Este blogue é a caderneta digital de anotações do imaginante e contador de histórias Daniel Duende Carvalho. Aqui são rabiscadas idéias, fragmentos, registros, anotações, referências, pensamentos, divagações, desabafos, poesias, delírios e algum nonsense. Se sua curiosidade o trouxe até aqui, seja bem vindo. Abraços do Verde.
16 de jun. de 2009
A caixa de música da memória...
Agora começo a entender por quê parei instintivamente de ouvir há tantos anos músicas que costumava escutar quase o tempo todo naqueles dias hoje tão passados. Para poder escutá-las de novo hoje em dia e ter preservado nelas, intacto, o sentimento de ser quem fui naqueles dias...
Sioxsie Sioux e seus Banshees guardam, sem saber, a minha memória de quem eu fui há 10 anos...
"You buried it so deep So safe in hidden sleep But like a tell-tale corpse Rises to the surface Over-ripe and bloated In naked time-lapsed truth Thought it was lost forever Remember this
How long has it been Or have you forgotten When you first forgot? Now resurrection the phoenix Aflame with pride and conceit Remembers this..."
"So we meet again!" and I offer my hand All dry and English slow And you look at me and I understand Yeah it's a look I used to know "Three long years... and your favourite man... Is that any way to say hello?" And you hold me... like you'll never let me go
"Oh c'mon and have a drink with me Sit down and talk a while..." "Oh I wish I could... and I will! But now I just don't have the time..." And over my shoulder as I walk away I see you give that look goodbye... I still see that look in your eye...
So dizzy Mr. Busy - Too much rush to talk to Billy All the silly frilly things have to first get done In a minute - sometime soon - maybe next time - make it June Until later... doesn't always come
It's so hard to think "It ends sometime And this could be the last I should really hear you sing again And I should really watch you dance" Because it's hard to think "I'll never get another chance To hold you... to hold you... "
But chilly Mr. Dilly - Too much rush to talk to Billy All the tizzy fizzy idiot things must get done In a second - just hang on - all in good time - wont be long Until later...
I should've stopped to think - I should've made the time I could've had that drink - I could've talked a while I would've done it right - I would've moved us on But I didn't - now it's all too late It's over... over And you're gone..
I miss you I miss you I miss you I miss you I miss you I miss you so much
But how many times can I walk away and wish "If only..." But how many times can I talk this way and wish "If only..." Keep on making the same mistake Keep on aching the same heartbreak I wish "If only..."
But "If only...." Is a wish too late...
Esta é para quem foi embora para nunca mais voltar.
A gente sempre acha, mesmo que finja que não, que poderia ter feito alguma coisa para fazer tudo ser diferente. "Eu poderia ter procurado ele mais vezes", "poderia ter percebido que seu coração estava partido"... "poderia até ter adivinhado, afinal de contas eu não advinho as coisas?".
Tudo tolice. A vida é como é, e as pessoas seguem pelos caminhos que seguem. É claro que tudo poderia ter sido diferente, mas as coisas foram como foram. Resta-nos seguir em frente... Os que foram, e os que continuam aqui.
Vai em paz, meu amigo.
P.S. Adivinhação mórbida ou coincidência, coloquei esta música, que andava quase esquecida, nos meus vídeos preferidos do Orkut no mesmo dia em que dizem que ele decidiu ir embora...
Eu falo, falo, falo, mas nada de começar a colocar aqui os fragmentos da História da Queda do Oeste, né? Pois é. Juro que é por pura falta de tempo. Eles estão em minha cabeça me contando a história o tempo todo, mas até agora tive tempo de sentar e colocar no papel (ou melhor, no computador) muito pouca coisa. Mas em breve isso pode mudar. Quem sabe no final do mês?
Enquanto isso, como sou um cara legal, vou dar uma dica pra vocês. Van Morrison é ducaralho. Escutem estes discos dele:
01 - And It Stoned Me 02 - Moondance 03 - Crazy Love 04 - Caravan 05 - Into The Mystic 06 - Come Running 07 - These Dreams Of You 08 - Brand New Day 09 - Everyone 10 - Glad Tidings
Hoje passei algumas horas ouvindo velhas músicas e me lembrando de quem era -- quiçá, quem sou. Por vezes é importante despir o traje ciborgue e as preocupações de adulto ocidental contemporâneo e se entregar às próprias raízes poéticas, musicais e artísticas. Afinal, é de dentro, d origem e da raiz, que brota a arte e a vida que insufla algo mais em nossas veias que dia após dia vão sendo substituidas por cabos neste mundo de eterna e rasa conexão de alta velocidade e volatilidade.
Por vezes a gente se esquece tanto de si mesmo, na busca eterna de desempenhar bem aquilo que de nós é esperado, que chega a se surpreender quando se depara com algo que nos lembra de nós mesmos.
Quantas vezes esquecemos? Quantas vezes temos que lembrar? Até quando viveremos e faremos ser este mundo onde não somos... apenas desempenhamos?
Com tudo isso, não me surpreende que por vezes o espírito prefira habitar máquinas e mundos-outros. Oferecemos para ele hospedagem dão espartana e desconfortável nestes dias.
Para onde ir, não sei. Ou se em frente, ou se para trás, ou se para dentro... ou se para Varrock, conversar com o rei...
"[...] Let down and hanging around Crushed like a bug in the ground Let down and hanging around Shell smashed, juices flowing wings twitch, legs are going Don't get sentimental, it always ends up drivel One day I'm going to grow wings A chemical reaction, hysterical and useless hysterical and Let down and hanging around Crushed like a bug in the ground[...]" Let Down - Radiohead.
A moça sambista Ana Reis, que foi colega da Patinha no coral do Marista e hoje segue uma carreira solo cantando samba, tem mesmo uma voz muito bonita. Dá gosto de ouvir...
No repertório, músicas de tradição celta da Irlanda, Galícia, Astúrias, Portugal, além de composições próprias. O ambiente não poderia ser mais apropriado, apresentando decoração medievalista, atendentes vestidos a caráter, espaço confortável e cerveja artesanal a preço excelente."
Um lugar muito bonito, e o elo entre a cultura céltica e a cultura lusitânica. Em suas terras é falado o galego, língua que entre o português e o espanhol busca sua própria identidade, assim como povo que a fala.
"O Meu País", na interpretação do Luar na Lubre. O meu país/ é verde e neboento É saudoso e antergo,/ é unha terra e un chan. O meu país/ labrego e mariñeiro É un recuncho sin tempo/ que durme nugallán.
Q quece na lareira,/ alo na carballeira Bota a rir. E unha folla no vento/ alento e desalento, O meu país.
O meu país/ tecendo a sua historia, Muiñeira e corredoira / agocha a sua verdá O meu país/ sauda ao mar aberto Escoita o barlovento/ e ponse a camiñar
Cara metas sin nome/ van ringleiras de homes E sin fin. Tristes eidos de algures,/ vieiros para ningures, O meu pais.
O meu país/ nas noites de invernía Dibuxa a súa agonía/ nun vello en un rapaz. O meu país/ de lenda e maruxias Agarda novos días/ marchando de vagar.
Polas corgas i herdanzas Nasce e morre unha espranza/ no porvir. E unha folla no vento/ alento e desalento O meu país.
Recebí um email falando de uma festa "New Rave". Instantaneamente arranjei um novo modismo do qual ter muita preguiça. Quem é que tem saco para mais um "bando de bandinhas" achando que reinventaram a festa e a diversão? Isso é tão antigo quanto a juventude (e, até onde sei, esta é tão antiga quanto a humanidade), e as novidades andam envelhecendo muito rápido rápido hoje em dia, pois há cada vez menos inovação nelas.
Onde foi parar a arte, o tesão e o prazer? Estão onde sempre estiveram. Em todo o lugar. Que vontade louca a indústria cultural tem de inventar!
Eu? Eu ainda prefiro meu bom e velho rock. (e lounge é o escambau! eu ouço é jazz!)
O excelente projeto/banda Lixo Extraordinário de Valdir Batone e extraordinária companhia está de site novo. Se o antigo já era bacana, permitindo o dowload de quase todo o primeiro álbum da banda e oferecendo um blog antenado, além de outros mimos para os fãs, o novo ficou ainda mais bonito e agora oferece o album inteiro pronto para "baixar e montar", além das músicas e das letras em separado.
Para quem ainda não conhece o Lixo Extraordinário, que se tornou uma das minhas bandas prediletas desde que cheguei ao Rio de Janeiro e conheci o Batone e a Gabi, esta é uma excelente chance de conhecer o trabalho dos caras.
Manual de Auto-Publicação na Rede -- será que rola?
Depois de uma conversa que começou aqui, e desembocou aqui, começamos a pensar na possibilidade de se escrever um Manual de Auto-Publicação na Rede para Músicos e Músicas Independentes. A pergunta não é apenas se rola de se escrever este manual, mas também como ele deve ser, o quê ele deve conter e principalmente quem está disposto a meter a mão na massa para fazer esse trampo.
Por falar em Os Seminovos, o Miguel Caetano do excelente blog Remixtures da blogosfera d'além mar (que fala sobre Cultura Livre, P2P, remix e colaboração) fez um post bem bacana falando da banda Zémaria (do Espírito Santo), e também comentando sobre o Mombojó e Os Seminovos -- todos do primeiro time da música independente auto-publicada na internet no Brasil. Deixei lá um comentário dando a ele o toque sobre o pessoal do Lixo Extraordinário e do Supercordas (e pedindo 'por favorzinho' para que ele não embarque na comparação não muito inspirada entre Os Seminovos e os Mamonas Assassinas, uma banda que cá entre nós era o ó do borogodó comercialesco).
Foi então que me toquei que isso é só a ponta do iceberg. Dá pra sentir que agora é o momento em que vai estourar (ainda bem) a prática da auto-publicação por parte das bandas independentes (sejam de rock, pop, metal, tecnobrega ou o escambau) na rede brasileira (e na portuguesa também). Sentindo o cheiro do momento, acho que é hora de surgir um manualzinho (ou muitos) de autopublicação para bandas independentes. Já falei pra mim mesmo (e pro meu irmão, e pro povo do overmundo) que pretendia me meter a escrever um manual desses, mas até agora estou só enrolando...
Vou ver se amanhã tomo coragem de meter a cara em começar a organizar isso.
No blogue do Miguel Caetano há também uma lista das netlabels brasileiras e portuguesas (além de uma pá de blogadas legais sobre o assunto). Fiquei surpreso ao saber que já são tantas, e que já estão fazendo trampos tãolegais. Viva a cultura livre! Viva a música e a arte independente! E agora, neste momento, viva a minha cama!
"Não é fácil manter a franja lisinha Tenho que fazer escova e chapinha Mais difícil ainda é ver o mundo assim do meu jeito: O cabelo tampa o olho esquerdo E eu só posso usar o direito! Impossível... Ser mais sensível que eu!..." (primeira parte de "Eu sou Emo!", d'Os Seminovos)
Tá legal, vamos combinar que eles não fazem nada de tão novo musicalmente. Por outro lado, Os Seminovos são verdadeiramente inovadores (ou no mínimo vanguardistas) em seu inteligente marketing viral (via youtube, orkut, chats, etc...) e pela antenadíssima distribuição "as is" de seu primeiro album nos moldes mombojanos (pois lugar de músico ganhar grana é em cima do palco, porra!). Sem experimentalismos desnecessários, os caras fazem rock competente -- bem tocado, com bastante energia e sobretudo muito divertido -- em um tempo em que muita gente anda dizendo que o artigo anda em falta no mercado. Talvez estejam olhando pro mercado errado, pois assim como os Seminovos há muitas outras bandas fazendo coisa muito boa (1, 2, 3...) fora do eixo Rio-Sampa, e até mesmo dentro dele. O lance é saber procurar, e não fazer que nem eu (e deixar o carnaval passar).
Mas como estou atrasado pra falar do Seminovos (que, ao que parece, todo mundo já havia descoberto menos eu -- ainda bem pra eles!), não vou ficar aqui chovendo no molhado. Escutem os caras. É divertido, é rock, é coisa nossa (até pq 'Berlândia é "logo alí" de Brasília), e é legalzão!
p.p.s. a Canção de Depressão deles merecia um post à parte. ("se você anda deprimido / mas que coisa demodê / eu tenho um mundo colorido / na farmácia pra você / a dor forte de perder uma paixão / não vai te incomodar / o emprego que só causa frustração / você vai passar a amar / fluoxietina, sertralina, citalopran / paroxetina, metazodona, conazepan / pra dormir bem à noite e acordar de manhã / bem melhooooooooooor...")
p.p.p.s. quer saber? você sabe que encontrou uma banda de rock realmente boa quando, na primeira vez que você a escuta, tem a impressão momentânea de que achou a melhor banda do mundo. A banda de rock que não for ao menos por algumas horas da sua vida a melhor banda do mundo pra você, não vale a pena. Os Supernovos são, ao menos até a zero hora de amanhã, a melhor banda de rock do mundo pra mim. Pronto! :D