14 de mai. de 2007

Alan Moore também é um Cluracão. E agora, um cluracão casado...

Terceiro post seguido sobre o monstro de Northampton, mas ele merece! :)

Fotos do casamento de Alan com Melinda Gebbie, direto do blog de Neil Gaiman (outro grande cara, cá entre nós...)







Para ver todas as fotos (com link para versão fullsize) no blog do Neil Gaiman, clique aqui.

Como o blog é meu, eu tenho direito a um último comentário perfeitamente indispensável:

O Alan Moore ficou tão fofinho depois de velho, com cara de feliz e com essas roupas, não? :D

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Alan Moore sobre adaptações cinematográficas de obras literárias e histórias em quadrinhos.

"(...)Quando você lê um livro e dá vontade de tomar chá, por exemplo, você deixa de lado o livro, e vai tomar a sua xícara de chá. Se quiser voltar algumas páginas para lembrar de algo que foi dito páginas atrás, você pode fazer isso. O leitor é que tem que fazer todo o trabalho. Quando lê um livro, o que você faz é decodificar esses arranjos de vinte e seis palavras numa página, por exemplo. Você tem que criar uma imagem para todos os personagens. É capaz de imaginar as vozes deles. Você está conjurando um mundo inteiro, e o está fazendo sozinho. O trabalho é seu. O leitor está contribuindo para ter uma experiência. Não é o caso nos filmes. Você está lá sentado na sua cadeira, e o filme segue, correndo a, sei lá, 24 frames por segundo. A máquina está fazendo todo o trabalho por você. Está tudo pronto. Não precisa imaginar como tal personagem vai se parecer ou como é que ele vai soar. Porque o camarada ali na tela vai sempre se parecer exatamente como o Jack Nicholson, e aquele outro personagem lá vai falar exatamente como um ator qualquer... É negada a chance de ter uma imagem na cabeça. Você tem as possibilidades negadas. Você não está apto a contribuir ao filme, sua imaginação é simplesmente freada e é substituída pela imaginação de quem o fez. Eu tenho esse incômodo com adaptações de cinema. Quando você tem um público que cresce ao redor do cinema, há esse problema dos jovens que absorvem arte apenas se ela vier por uma tela. Isso encoraja à preguiça. Muitas das pessoas que vão ao cinema não precisam se preocupar em ler o livro, porque, obviamente, o livro é muito mais difícil, exige muito mais experiências do que apenas ficar sentado no cinema com uma tigela de pipoca no colo por 90 minutos... É por isso que me incomoda tanto essa coisa das adaptações."
(retirado da entrevista de Alan Moore à revista Trip*)



* o endereço do site da Revista Trip está correto, mas a página principal parecia estar fora do ar no momento do fechamento deste post. De qualquer forma, a entrevista está acessível através do link acima.

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13 de mai. de 2007

Lost Girls de Alan Moore, e a sexualidade nas fábulas.

Está sendo lançada no Brasil pela Devir Editora a controversa série Lost Girls, escrita pelo mestre Alan Moore (que nos deu Watchman, V de Vingança e John Constantine e foi recentemente entrevistado pela Trip) e ilustrada por Melinda Gebbie, (com quem Moore se casou recentemente, e que é dona de um traço bem particular). Em Lost Girls, Moore aborda a questão da sexualidade nas fábulas infantis (se é que fábulas são coisas para crianças) e brinca com a idéia de um encontro cheio confissões sexuais e afetivas entre Wendy Darling (de Peter Pan), Alice (de Alice no País das Maravilhas) e Dorothy Gale (de O Mágico de Oz).

A matéria de Marcelo Naranjo sobre a série, escrita para o site da UniversoHQ, descreve a obra da seguinte forma:
"Como divulgamos no ano passado, a série Lost Girls está para ser lançada no Brasil, pela Devir Editora.

Lost Girls - Livro 1: Meninas Crescidas
(formato 21 x 28 cm, 112 páginas coloridas, R$ 65,00) é uma graphic novel erótica que conta as aventuras sexuais de três importantes personagens femininas fitícias do final do século 19 e início do século 20: Alice, de Alice no País das Maravilhas; Dorothy Gale, de O Mágico de Oz e Wendy Darling, de Peter Pan.

Elas se encontram já adultas em 1913 num luxuoso hotel austríaco para descrever e partilhar entre si algumas de suas aventuras eróticas, contando como cada uma delas descobriu os prazeres do sexo.

A história é escrita por Alan Moore e ilustrada por Melinda Gebbie (que também co-criou e desenhou a série de histórias The Cobweb para a revista Tomorrow Stories, da linha de quadrinhos de Moore America's Best Comics). O conceito de personagens de várias histórias co-existindo num mesmo universo também já foi explorado por Alan Moore em A Liga Extraordinária.

Lançados originalmente dentro de uma caixa, os três volumes da série Lost Girls serão publicados separadamente pela Devir em abril, junho e setembro de 2007."

Embora esteja muito ansioso para conferir este trabalho de um de meus mestres-contadores de histórias, não sei muito bem ainda o que dizer sobre o tema da sexualidade nas fábulas. Talvez esta obra de Moore me dê mais o que pensar sobre o assunto. Penso, contudo, que sendo a fábula uma narrativa mágica sobre um mundo essencialmente natural e encantado, não há nenhum impedimento para a existência de tudo aquilo que é natural (inclusive o sexo e todas as suas formas) em uma fábula. As duas coisas que sempre "empacaram" este fluxo são o engano de achar que fábulas são escritas apenas para crianças e a besteira cristã de achar que o sexo é feio, e portanto não é coisa para as fábulas e muito menos para os olhos das crianças. Fábulas com sexo são não apenas coisa para gente grande em tamanho, mas sobretudo para gente grande em compreensão do mundo. Se as fábulas foram tão dessexualizadas quanto os anjos nos últimos séculos, isso se atribui principalmente à ignorância e obscurantismo com a qual foram tratadas nos últimos tempos.

Mais uma vez, Alan Moore mostra que sabe o que está fazendo.
Um brinde ao monstro de Northampton!

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