17 de out. de 2007

En silence...

Como sempre acontece quando entro no DeviantART de olhos abertos, acabei descobrindo mais uma grande artista. Mélanie Delon, Eskarinacircus, cria imagens fantásticas, tocantes por seu realismo e encantadoras por sua força. A imagem abaixo simplesmente me transfixou...



Sem palavras. Apenas silêncio... e um olhar.

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sonhos de água e céu

Em dias quentes como este, quando eu era criança, eu sonhava em poder virar uma criatura da água e viver para sempre (o para sempre das crianças dura até quando a gente quer) dentro de piscinas ou lagos encantados. Queria descobrir mundos debaixo da água e não sentir calor nunca mais, e voar dentro da água para onde quisesse.

Ela queria nadar no céu. Sabia que o céu e o mar são a mesma coisa, e se deitam juntos no horizonte da praia. Ela, com sua sabedoria de criança, sabia que se pode nadar no céu e no mar, contanto que se saiba como. Ela sabe muito sobre o mar.

A gente só precisa saber como sonhar com a água e com o céu...




p.s. eu realmente me apaixonei pelas aquarelas de Kajsa Flinkfeldt, Flingling.

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2 de out. de 2007

Retorno.

Abriu a porta e saiu, ofuscado pela luminosidade. Sentia um vazio nas entranhas. Preferia acreditar que era fome. Acendeu um cigarro e demorou vários passos para se aperceber do dia nublado. Foi despertado de seus pensamentos por uma pequena gota de chuva que acariciou sua mão. Estacou em meio ao estacionamento, como quem desperta de um transe. Olhou para os carros, para os prédios, para o chão salpicado de gotas. Sua sombra estava lá, rajada de gotas de chuva. Havia luz também. A luz agradável dos dias nublados que agora não machucava mais seus olhos. Abriu os braços e jogou a cabeça para trás, caminhando pé ante pé e sentindo cada gota arrancar o pó de seu corpo e de sua alma. Fechou os olhos e se sentiu uno com a chuva. Tudo fluía. Tudo parecia estar de volta em seu lugar e seu movimento.

Foi assim que ele retornou, mesmo que no fundo sempre tivesse estado alí. Ele apenas havia se perdido. Como uma semente perdida, a chuva o despertou. Como uma semente desperta, agora ele queria estar vivo. Andou pela chuva sorrindo, terminou seu cigarro e depois voltou a fitar o céu. Deu boas vindas a si mesmo e à chuva, e então seguiu seu caminho.

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13 de ago. de 2007

Sobre panelas e caldeirões

Gosto de cozinhar
como quem faz bruxaria.
Cortando e cantando,
misturando e proferindo
encantamentos e augúrios,
mexendo, remexendo, temperando
e provando e inventando conforme faço.

É assim que é gostoso.

É assim que sai gostoso. =]

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19 de jul. de 2007

sobre escrever e não escrever, dádiva, sonhos escritos e traduções infantis de livros.

Está dificil escrever estes dias. Não é só a correria. Minha cabeça e meu coração também voam por outros lugares bem longe do teclado e de meus escritos. Mesmo assim, gostaria um bocado de conseguir sentar e escrever alguma coisa vez por outras nestes dias...

Mas não se pode ter tudo, e por hora prefiro as dádivas que vivo à minha escrita frenética e solitária de outrora. Tudo flui, e um dia ou outro, de um jeito ou outro, acabo voltando a escrever.

Por hora, me divirto quando posso em ler o que meus outros escritores andam pensando. A Luana Selva, por exemplo, irrita-se com as traduções de Lia Wyler para a série Harry Potter e nos lembra a todos que literatura infanto-juvenil não é literatura para débeis mentais. Antes disso, débeis mentais são aqueles que subestimam a sabedoria do infante frente a um livro.

Já a doce-amarga Patrícia Nardeli anda transformando velhos sonhos em novos escritos. Adoro tudo que ela escreve, mas sou um bocado suspeito para opinar, eu diria. =]

Enquanto isso, o Ernesto Albuquerque (o meu companheiro bukowskiano de tardes na extinta Estação 109) começou timidamente seu blogue, publicando algumas poesias. Não desista, Ernesto. Leva-se tempo para que um blogue de poesia atraia toda a atenção que gostaríamos! A sua poesia sobre a 'imortalidade' realmente me lembra de velhos tempos...

É tudo uma questão de encanto e dádiva, seja na literatura, seja na tradução, seja na vida.

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