2 de out de 2007

Retorno.

Abriu a porta e saiu, ofuscado pela luminosidade. Sentia um vazio nas entranhas. Preferia acreditar que era fome. Acendeu um cigarro e demorou vários passos para se aperceber do dia nublado. Foi despertado de seus pensamentos por uma pequena gota de chuva que acariciou sua mão. Estacou em meio ao estacionamento, como quem desperta de um transe. Olhou para os carros, para os prédios, para o chão salpicado de gotas. Sua sombra estava lá, rajada de gotas de chuva. Havia luz também. A luz agradável dos dias nublados que agora não machucava mais seus olhos. Abriu os braços e jogou a cabeça para trás, caminhando pé ante pé e sentindo cada gota arrancar o pó de seu corpo e de sua alma. Fechou os olhos e se sentiu uno com a chuva. Tudo fluía. Tudo parecia estar de volta em seu lugar e seu movimento.

Foi assim que ele retornou, mesmo que no fundo sempre tivesse estado alí. Ele apenas havia se perdido. Como uma semente perdida, a chuva o despertou. Como uma semente desperta, agora ele queria estar vivo. Andou pela chuva sorrindo, terminou seu cigarro e depois voltou a fitar o céu. Deu boas vindas a si mesmo e à chuva, e então seguiu seu caminho.

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1 Comments:

Blogger Feiticeira said...

(...) E daqui a exatos trinta dias,
no Henmisfério Norte,
As últimas luzes do Verão
já terão trazido, muito suvamente,
um outro outono...
Mudanças adormeçendo
entre as folhas que acobreiam
sem nenhuma dor ou tristeza,
um idílico e fértil, chão.
Porque há a latente certeza,
de que tudo é um novo
recomeço... Retorno...
Antecedendo estes dias,
vez por outra, estas luzes
são banhadas por uma chuva doce
suave, silenciosa e fina,
desencantando sementes
que sempre estiveram ali,
apenas esperando,
aqueles dias chegarem,
aquelas luzes acordarem-nas,
e aquela chuva
trazendo-as desencatadas
tranqüilas, vivas e serenas,
para brotarem
dentro de quaisquer outros Hemisférios. Belas.

Dora.

10/02/2007 03:26:00 PM  

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