29 de out. de 2008

à tona.

reencontrei minha alma,
como tesouro de naufrágio.
preciosa!

eu, justo eu,
que nem sabia se,
e quando, e onde,
naufraguei.

reencontrei entre as ondas
do oceano do sono
e as praias de mim mesmo,
onde vinha andando
sem sentir a areia.

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coisas que a maré traz. (fragmento)

...era sentir-estar, diferente desse sentir-pensar.
era um sentir-estar impenetrável,
denso e total -- que chega manso e carrega.
de tão denso, não cedia aos cravos
que usamos para pregar as coisas às palavras.
era, portanto, indizível.

indizível, impensável demais,
só passível de ser sentido.
quando veio
e quando voltou
no derradeiro momento
antes do mergulho no oceano do sono.

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7 de ago. de 2007

O Salto do Menino Tritão (duende, 2005)

Revirando mais um pouco os arquivos imaginários em busca dos fragmentos rebuscanos, encontrei uma velha poesia que volta a me encantar, sempre viva como o mar...

o salto do menino tritão.
"morrer é nascer. aprender é crescer. viver é transformar-se...

No barco dourado enfeitado com guirlandas, uma festa comedida navega.
Na esteira do mar feroz que ruge e cospe navega uma festa dourada
de família. No parapeito, sonhador, um menino sensível namora o mar.
As ondas o convidam, a imensidão do mar o seduz, não há nada no
mundo barco que o possa segurar...

Apenas os gritos o saúdam quando ele salta.
Gritos maternos e guinchos de gaivotas inexistentes se fundem,
no dia em que o jovem se uniu com o mar.

O que aos olhos do navegante é morte,
é para o menino tritão o início da vida.
Mudar de ambiente é uma questão de aprender a respirar...

Ele segue vivendo, além das fronteiras dos barcos,
descobrindo que a vida no mar é fêmea,
descobrindo o que é A Mar...




(uma homenagem a um sonho belo e assustador de Dona Graça).


Foi publicada originalmente no Alriada Express em maio de 2005, inspirada em um sonho que a Dona Graça teve com seu filho, o 'anatólio' Daniel Padua.

É curioso e encantador como esta poesia fala COMIGO até hoje.

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