27 de mar de 2007

Pelas ruas da cidade, encontro ecos de romances...

Andando pelas ruas de Copacabana, voltando da estação de metrô até minha casa, fico olhando para os prédios, janelas, para as pessoas, e suspirando. Não é que eu seja um bobo alegre, ou pelo menos não é só por isso. Ando suspirando, pois ainda não me tornei insensível à riqueza de vida e beleza que há em cada detalhe das ruas desta cidade (ou ao menos da maioria das ruas que conheço dela). A cada entrada de prédio, com seus ecos de pretensa opulência cinquentista, ou com sua discreta graça que se compõe com o bucolismo e carioquice das ruas, fico impressionado. Chego a parar, ter vontade de tirar fotos ou olhar por longos minutos para apreender cada detalhe. As pessoas nas ruas me deixam impressionado. O relevo derretido do asfalto, os morros aparecendo por trás dos prédios, as árvores, o descuido e o cuidado com os detalhes, a riqueza que só os anos e as histórias de tantas vidas se desenrolando por ali podem dar a uma cidade... tudo me deixa muito impressionado, tocado e suspirante.
Estou mesmo apaixonado pelo Rio de Janeiro.

Desde que cheguei, mergulhei na leitura de autores cariocas que falem sobre o Rio. Clarice Lispector, Rubem Fonseca, narradores de vidas cariocas simples ou complexas, cada um com seu estilo, com seu olhar sobre a cidade. Andar pelas ruas do Rio com as frases destes homens e mulheres tão cariocas na cabeça é viver uma constante identificação de nuances. É como andar em Brasília ouvindo Legião Urbana no diskman. É como ser convidado para estar ali. É como começar a descobrir uma cidade...
É como se apaixonar.

Acho que ando um bocado sensível, talvez até meio bobo. Mas é desta sensibilidade que nasce o olhar que me presta para escrever qualquer coisa que preste. É disso, e dos sonhos, que nascem todos os contos, sejam eles de fadas ou de pessoas mundanas (ou não).

Quanto tempo se leva para se reconstruir o escritor que vinha se perdendo dentro de mim? Seja como for, está acontecendo rápido.

"Minha alma canta... vejo o Rio de Janeiro."



E enquanto isso o "cara lá de cima da montanha" abraçava as nuvens roxas ao cair da tarde na cidade do povo gato...

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3 Comments:

Anonymous Ernesto Diniz said...

Oh l'amour... l'amour!

Valeu pelas dicas do Overmundo.
Abraço!!

3/27/2007 10:18:00 PM  
Blogger Daniel Duende said...

Uma ternurinha, né? ;D

Nem precisa agradecer pelas dicas, meu caro cara. Seu trabalho é bom, e eu admiro. Quero mais é ver teu trabalho despontando por lá.

Abraços do Verde.

3/27/2007 10:23:00 PM  
Blogger Feiticeira said...

Daniel,
Ler este texto teu me envolveu de saudades do Rio de Janeiro.
Aliás, tem um conto "Moça nua acenando na Janela" (acho que é assim, o título) que começa lá e termina aí...
Fui ao Rio por amor.
Estava absolutamente apaixonada.
Tanto que perdi o medo de avião.
Aconteceu uma coisa meio boba, mas muito linda, lá pelas ruas das Laranjeiras.
Eu parei - muito feliz - para telefonar para Olinda, nem era saudades não, era necessidade de grana.
Antes que eu falase o Vincent carelli perguntou:
"Dorinha, como é que cê tá de grana, aí?"
Putz, vai ser adivinho assim lá no Xingu.
Fiquei mais feliz.
Atrás de mim, tinha um homem chorando, porque seu pai estava internado doente não-sei-onde...
E me perguntou se eu podia emprestar meu cartão telefônico porque o celular dele tinha caído bateria.
Eu sorri e disse, "Claro que sim!"
E dei o cartão. Quando ele terminou de falar, me devolveu e disse:
"Obrigada, você está tão feliz. e eu estou tão triste, com meu pai internado... Mas a sua felicidade é tão espontânea. Se eu pedir mais um favor você faz?"
Eu disse, "Bem, se eu puder..."
Ele pediu, "Você pode cantar uma música para mim?"
Coisa inusitada assim, a gente não pode recusar, sabe.
E eu cantei, mas Deus do céu, olha a música que eu escolhi:
"Tire seu sorriso do caminho,
que eu quero passar com a minha dor.
Hoje pra você eu sou espeinho.
Espinho não machuca a flor.
Eu só errei quando juntei
minh'alma à tua,
o sol não pode viver perto da lua..."
O mais incrível, é que saímos andando, eu cantando e ele ao meu lado chorando.
Dá pra acreditar, não?
Pois tem mais.
Um gari que esgtava recolhendo lixos da calçada, parou e começou a batucar numa caixa de fósforo.
O nome do homem era Paulo.
Quando terminei de cantar, ele ainda chorava, mas me agradeceu dizendo que a minha felicidade o havia consolado.
Nos despedimos, sem trocas de nada, só nome e algumas boas palavras.
Desejei sorte e saúde para ele.
Ele seguiu em frente, e segui subindo a Rua alice, onde o meu amado me esperava.
Coisas que eu acho, só acontece em ruas cariocas, onde a sensibilidade, a beleza, a brincadeira, e as delicias dos cariocas inspiram, inspiram...
Nunca mais voltei ao Rio depois disso...
E até hoje não sei se o Rio de Janeiro continua lindo, ou são os olhos do meu ex-amor iluminando a Guanabara.
É uma história boba,
mas a gente fica abobado mesmo...
É de ficar...
E da foto tenho a dizer, primeiro que é linda, segundo que vi esse gigante deitado quando fui pra Lumiar - Friburgo.
Tá bonamente lindo este teu texto, quase uma declaração de amor e saudade.
Abraço

7/20/2007 05:45:00 PM  

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