23 de abr. de 2008

Arranárra, fragmento 2

"Certa vez, na noite anterior à minha primeira batalha, estava passeando nas proximidades de um riacho quando a encontrei. Ela, a Senhora dos Corvos, me disse que eu iria matar e que iria amar, e que iria viver. Naqueles tempos enxerguei um augúrio fantástico nestas palavras. Muito tempo depois, me acostumei a dizer que ela dizia isso a todos, embora quase todos estivessem agora mortos e esquecidos. Por algum tempo eu também me esquecí daquele dia, e de qualquer coisa que ela houvesse me dito. Hoje eu me lembro que na época, aquelas foram apenas as palavras que optei por lembrar, das muitas que ela me disse.

O que ela disse? Agora eu lembro muito bem! A Mórrigu disse que 'o rio corre por onde quer, mas vocês olham para seu leito e pensam que ele não pode mudar. Vocês também andam por onde querem, mas às vezes inventam para si um leito de outros homens e mulheres ou simples idéias, e dizem que não podem mudar de rumo. Se você decidiu que seu leito é aquele do guerreiro, então você vai matar e vai amar, e assim vai viver. Mas atravesse este rio, e verá que do outro lado há outro mundo e outra vida'. Enquanto voltava para casa, só pensava em meu augúrio de glória guerreira, e no quanto aquela enorme mulher ruiva era gostosa -- no quanto eu gostaria de foder com ela a noite inteira, para me tornar um guerreiro ainda maior. Como eu era idiota. Puta que me pariu!"


(Mais um fragmento de Arranárra. Ele era um pouco mais curto, mas não resistí a floreá-lo um pouco...)

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Arranárra, fragmento 1

"Teve aquela vez em que Feltwn acordou muito mal depois dos festejos da vitória em Gloal. Acordou tão torto que, ao encontrar algumas pessoas na estrada enquanto caminhava até sua montanha, bateu em todas elas com seu martelo até que a maioria ficasse destroçada. Um moleque sobreviveu e ficou seguindo ele pela estrada, o acusando de matar sua família. Feltwn bateu no moleque com a mão esquerda. Bateu tão forte que o moleque não andou mais, e ficou chorando na beira da estrada. Feltwn subiu sua montanha, então, e ficou lá pensando.

Mais tarde, Eldain seguia pela mesma estrada para contar de suas proezas nos salões de Firva. Quase não ouviu o choro do moleque na beira da estrada, mas quando ouviu desceu de seu cavalo e foi ver do que se tratava. O moleque deve ter ficado impressionado com aquela roupa chamativa do Eldain. Contou pra ele tudo que aconteceu. Eldain resolveu subir então a montanha de Feltwn para tirar satisfações com ele.

Quando chegou, encontrou Feltwn sentado sobre uma pedra, olhando para o Norte. Perguntou para ele por quê ele havia feito aquelas coisas horríveis, mas Feltwn apenas riu. Eldain começou a gritar todas aquelas coisas sobre como era errado matar pessoas inocentes em estradas. Todo aquele tipo de coisa que Eldain gosta de falar quando estão ouvindo. E então Feltwn o interrompeu, e parecia tão puto que Eldain não deu nem mais um pio.

Feltwn disse algo como 'De vez em quando faço coisas que as pessoas gostam, e aí dizem que sou um herói e um guerreiro valoroso. E de vez em quando eu faço coisas que as pessoas não gostam, então dizem que sou terrível e cruel. Mas eu faço o que eu faço, e não tenho nada a dizer sobre isso. Eu sou apenas Feltwn, e vocês é dizem o tempo todo uns pros outros quem eu sou, e que sou isso e aquilo. Já você, bosta que brilha, quando faz coisas que as pessoas vão gostar, as conta para todos com suas palavras bonitas. Mas você também faz um monte de coisas que as pessoas não gostariam, se soubessem delas, só que estas você esconde. Você não é diferente de mim. Também mata, também se banha em sangue e bebe hidromel, e também ama. No fundo somos todos quem somos. Só que você, além de tudo mais, é uma ave chamativa e enganadora. E ainda vem subir minha montanha pra encher meu saco e me falar do que devo ou não devo fazer? Vai cuidar do seu garotinho quebrado, e não me perturbe, antes que eu te deixe igual a ele.'

Eldain desceu a montanha calado. Feltwn era duas vezes mais forte que ele, no mínimo, e Eldain não era dado a discutir com pessoas mais fortes. Seguiu para Firva, e lá parece ter esquecido de falar o garotinho e sobre Feltwn. Imagino que o garotinho deva ter morrido de fome na beira da estrada, esperando o seu salvador. Esperar salvadores dá nisso.

Feltwn continuou sendo como sempre, mas na época nós o chamávamos de grande guerreiro pelo que fazia, e achávamos isso muito bom. Os tempos mudam, mas nunca me esqueci dele. Éramos mesmo todos da mesma estirpe de merda, só que ele não se importava em fingir que cheirava melhor, como Eldain... e como eu."


(Este não é o primeiro fragmento do Arranárra. Mas resolví publicá-lo agora mesmo assim, pois me ocorreu fazê-lo. Em breve devo reescrever aquele fragmento 2 do Delianárra. Tem razão quem diz que ele se perde em explicações e fica sem alma...)

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18 de abr. de 2008

Despertar (literal, desta vez)

A gripe não me permitia nada mais do que dormitar. Quando finalmente o corpo relaxou, mesmo impossibilitado de respirar direito por conta do nariz totalmente entupido, minha mente se iluminou novamente com centenas de histórias. Seria algo como o de costume, não fosse o fato de que as histórias estão mais vívidas do que o normal, e eu estou há 5 horas tentando dormir e sendo mantido acordado por Delian, Dán Loth, Lothien, Arran, Parsifal Cluracão, Rodrigo e seu outro e, obviamente, por minhas duas narinas entupidas.

Mesmo tendo que estar acordado, lépido e animado hoje à tarde, desisti de tentar dormir por agora. Não apenas não estava conseguindo, mas começou a me soar um imenso desperdício não verter ao mundo ao menos alguns fragmentos das histórias...

Lá vamos nós...

(o tom de negro absorvente da tela de meu computador, um segundo antes deste exibir a tela de login do meu perfil, tem uma mágica toda própria. é de um negrume sem descrição nem nome. se poderia morar nele, ou através dele ir parar em outro lugar. fiquei tão impressionado por ele a poucos momentos atrás que quase me esqueci minha senha...)

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1 de abr. de 2008

Como no Começo, sempre há um.

Há uma longa história a ser contada. Mas hoje eu já sei como contá-la.

Vou contá-la da mesma forma que eles a contam para mim...
Em fragmentos, pequenas jóias de caleidoscópio, vislumbres, recordações e devaneios.

A longa história estará organizada com os seguintes tags:

Queda do Oeste, para reunir todos os fragmentos em um só fluxo de lembranças, lendas e revelações.
Arranárra, Lothienárra e Delianárra definindo as três linhas narrativas que contam a longa história que talvez comece antes do Leste e do Oeste.


E A História talvez comece assim...

"Houve um começo, mas cada vez que ele foi narrado sua verdade se diluiu na alma daquele que o narrou. Eu poderia contar como começou, como alguns já fizeram, mas estaria falando de mim mesmo, mais do que daquilo que você quer saber. Houve um começo, mas vou me limitar a contar aquilo que me lembro e aquilo que vivi. É tudo que posso e que quero fazer. E a minha história começa como um nascimento, com dor e um pouco de desorientação, em um quarto escuro..."
~ extraído do Delianárra.

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