22 de mai. de 2008

Delianárra, fragmento três (fragmento perdido)

O fragmento número três se perdeu. Dele me lembro apenas três pequenas passagens, que reproduzo abaixo.

"[...]A estrada dos tijolos cinzentos, que cruza as terras mortais de Fínne, é talvez a única estrada nas ilhas que sempre nos leva aos mesmos lugares. Isso faz dela uma estrada estranha para quem mora na região.

[...]

Ela vinha miúda pela estrada. Seus cabelos muito vermelhos contrastando com o verde das urzes e com o cinzento profundo de seu manto. Naquela primeira vez que a encontrei, ela rumava para o Bosque dos Príncipes. Queria se encontrar com a Velha Coruja. Dizia que era parte de sua iniciação como mulher-que-sabe-das-coisas. Não sabia na época que havia entre os pequeninos mulheres-que-sabem-das-coisas, ou mesmo aspirantes a este caminho. Partilhamos à beira de uma fogueira um pão de estrada e um resto de frutas cristalizadas que ela trazia envoltas em um pano azul dentro de seu alforje, que era grande demais para ela. Se recusou a comer carne de caça, e achei melhor não fazê-lo também. Foi a primeira vez que a ví, mas foram nossos outros encontros que a tornaram inesquecível. Espero que ela esteja bem agora, onde quer que esteja.

[...]

Era um homem muito triste. Trazia uma grande trouxa de bagagem nas costas e me parou educadamente pedindo direções. Parecia ignorar que a estrada de tijolos cinzentos o leva sempre aos mesmos lugares, pois me perguntou se naquele dia era possível chegar a Setestrelas se tomando o desvio à direita. [...] Quando perguntei por quê estava deixando a capital, ele me disse gravemente que só se deve deixar um lugar quando os motivos para se querer ir embora não forem mais compensados pelos motivos para se querer ficar. Insistí, e ele simplesmente me disse que não morava mais lá, e calou. Eu também silenciei quando me perguntou de onde eu vinha. De certa forma, me parecia que por mais que andasse estava sempre em um lugar muito familiar, e não fazia mais para mim sentido algum dizer que um dia vim de algum lugar."

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1 de abr. de 2008

Como no Começo, sempre há um.

Há uma longa história a ser contada. Mas hoje eu já sei como contá-la.

Vou contá-la da mesma forma que eles a contam para mim...
Em fragmentos, pequenas jóias de caleidoscópio, vislumbres, recordações e devaneios.

A longa história estará organizada com os seguintes tags:

Queda do Oeste, para reunir todos os fragmentos em um só fluxo de lembranças, lendas e revelações.
Arranárra, Lothienárra e Delianárra definindo as três linhas narrativas que contam a longa história que talvez comece antes do Leste e do Oeste.


E A História talvez comece assim...

"Houve um começo, mas cada vez que ele foi narrado sua verdade se diluiu na alma daquele que o narrou. Eu poderia contar como começou, como alguns já fizeram, mas estaria falando de mim mesmo, mais do que daquilo que você quer saber. Houve um começo, mas vou me limitar a contar aquilo que me lembro e aquilo que vivi. É tudo que posso e que quero fazer. E a minha história começa como um nascimento, com dor e um pouco de desorientação, em um quarto escuro..."
~ extraído do Delianárra.

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