8 de jun de 2007

"coma gente muda com a escrita"

Este era... err... é um post sobre o efeito que a escrita tem sobre o escritor (e não apenas o contrário), mas preferi deixar o inexplicável (inexplicável?) ato falho que cometí no título. Sabe-se lá por quê. Vai ver é porque achei engraçado...

Como eu estava dizendo, ou ia dizer, a escrita muda a gente. Não é apenas a experiência e a reflexão envolvidas no escrever. Há um algo mais. É como se algo daquilo que se cria, das imagens, das emoções, dos sentimentos, ficasse impregnado em nossa alma. Se tudo que escrevemos vem de nós, ou ao menos de algo que absorvemos do mundo, escrever "muda o nível" da nossa relação com aquilo que é matéria prima da escrita, e com o seu resultado.

Se antes de escrever uma história que me surge, os personagens me assombram e aporrinham, depois de escrevê-la eles se tornam quase amigos imaginários. Mesmo que não me demandem mais nem uma história, eles continuam por aqui, em mim, e eu posso sentí-los... e é bom. As emoções transmitidas também me afetam. E eu não penso de forma alguma que elas fossem minhas emoções desde o princípio. São por vezes emoções de uma história, de um ou mais personagens, que se realizam no ato da criação literária. Estas emoções, somadas da experiência criativa e da labuta literária, definitivamente mudam o escritor. E recomeça o processo, pois o escritor mudado também influencia sua obra, e a obra o influencia de volta.

Escrever é um casamento, é um ofício de vida e -- quem escreve me entende nessa -- escrever também é um alterador de consciência. O escritor que nunca ficou alterado ou inebriado com sua escrita, que atire a primeira caneta (mas por favor, não me atirem teclados porque isso machuca!).

Por fim, cada um escreve por seus motivos. Cada um experiencia a escrita, e se relaciona com ela, da sua própria forma. Aquilo que se escreve também influencia o processo. Mas uma coisa nos une a todos, nós escritores que se sabem escritores e escritores que ainda não se sabem escritores: escrever, pelo motivo que for, é fantástico.
(mesmo que seja só para comer gente muda)

O parêntese final é descartável, mas eu o achei engraçado.


Hora de dormir.
Amanhã eu conto pra vocês que a sexta parte de O Cavaleiro e o Dragão já está na fila de edição do Overmundo...
Ops, já contei. :D

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2 Comments:

Anonymous Patricia said...

'Se antes de escrever uma história que me surge, os personagens me assombram e aporrinham, depois de escrevê-la eles se tornam quase amigos imaginários.'

Acontece assim comigo também. =]

6/08/2007 04:46:00 PM  
Blogger Daniel Duende said...

Sério?

Então isso quer dizer que eu não sou tão louco assim, ou que então você é tão louca quanto eu. hehehhehehee

Um brinde à loucura, bêibe :D

6/08/2007 06:11:00 PM  

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