15 de mar de 2007

mais sobre a Princesa Desencantada

Embora ora relute e ora não tenha tempo de verter a história em palavras, a nova fábula da Princesa Desencantada vive e cresce dentro de mim. Antes vertida em um só fôlego, a história da princesa que descobre a verdade por trás de suas ilusões torna-se agora uma história dividida em cinco partes, e ganha ainda anotações para uma possível continuação.

As cinco partes, cinco subtítulos que marcam as fases da fábula, surgiram quase que por encanto enquanto me recontava a história ontem pela manhã. "A filha do rei", "A protegida do senhor da guerra", "A mulher do príncipe", "A dama das estradas" e "A rainha da lama" (ou "A rainha das pulgas", ainda não me decidi ao certo) formam um continuum, e servem de um elemento que significa ainda mais as palavras que abrem a fábula.
"(...)De todos os meus tesouros, aqueles pelos quais tinha mais apreço eram as minhas ilusões. Eram estas também as que me traziam a maior infelicidade, embora perdê-las tenha sido um dos golpes mais profundos que havia recebido desde então. Sangrei desta ferida ao longo da estrada que me trouxe até aqui. Mas como toda chaga, esta também termina por secar, mesmo que seja na morte. Nada tenho mais, nem tesouros nem chagas, nem a mim mesma. Nada além da história que narrarei. Desta também quero agora me livrar, no momento em que a entrego a vocês, para que façam dela o uso que bem quiserem. Só quando nada mais tiver, serei livre para finalmente ter o único tesouro que nunca soube ter -- A minha felicidade, que há de ser simples como toda felicidade deve ser. Mas foi sem simplicidade alguma, mas repleta de riquezas e posses e as ilusões que as acompanham, que minha história começou(...)"
A cada vez que olho para esta introdução, mudo alguma ou muitas coisas. Não contem então com nada daquilo que os estou contando. A Princesa Desencantada é uma história tão mutante em busca de sua forma que ainda não consegue se agarrar a qualquer meio físico. Mas ela está aqui... bem aqui... dentro do meu mundo.

Digo mais quando houver mais a dizer.


UPDATE:
A verdade é que a fábula é tão simples e ao mesmo tempo tão complexa, tão linear e ao mesmo tempo tão cheia de significados subentendidos, que nunca fico satisfeito com as palavras que escolho para contá-la...

Tá ainda me faltando culhão, mais do que tempo e vontade, para escrever a versão final de A Princesa Desencantada.

Ok, falei...
Agora alguém me paga uma cerveja ou me faz um cafuné?

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3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Ai ai ai! Talvez eu entenda; talvez eu me equivoque, mas como nata perfeccionista adverto de que o revisar é recriar, reformar, fazendo a idéia "real" se refazer e se mutar, para ocasionalmente se esvair em um joguete de palavras armado para ser perfeito! Não gosto da perfeição, porque não existe perfeição! É só mais um ingrediente da "moralina"...
Caititi

4/26/2007 01:46:00 PM  
Blogger Daniel Duende said...

Eu acho que entendo... :)

Não era chegado a revisar nada, em um misto quase homogêneo de preguiça e busca da espontaneidade absoluta (que é uma forma de busca da perfeição em si). Mas as perfeições da forma e da verdade nos escapam sempre, quando as buscamos.

Resta-nos então buscar fazer o "Bom" (e bom, como sabem os índios norte-americanos, é um substantivo e não um adjetivo). Revisar ou não revisar, rescrever ou deixar rolar... faço o que der na telha em busca da Qualidade (no sentido Pirsiguiano). É isso. ;)

Abraços do Verde.

4/26/2007 02:22:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Ah sim...eu li sobre esse livro num post teu; fiquei com imensa vontade de ler! Agora tenho que catar por aqui...Ah quero buscar infos sobre física quântica há um tempo mas como eu não estou estudando, e trabalhando em horário comercial: nananinas de biblioteca! Aki passou um filme: " quem somos nós" que explicava mais ou menos ilustrava para quem acha muito complexo...
Caititi

4/30/2007 02:06:00 PM  

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